- Ela te pediu que transasse com o marido dela? – Sophia perguntou,
embasbacada. Lua apenas assentiu com a cabeça. – Meu Deus, Lua, isso é
um absurdo, essa mulher é completamente descontrolada! E o que o... O
marido dela disse?
- Não sei, ele estava trabalhando. Quando ela falou eu saí praticamente
correndo de lá. Soph, isso é loucura, eu não posso...Não posso fazer
isso!
- Vou morrer e não vou ver tudo, juro.
Uma hora depois, Sophia deixou Lua em casa. Lua pegou sua mala,
despediu-se de Sophia e entrou em casa. Chamou por Blanca, mas não houve
resposta. O pequeno casebre estava revirado... Os móveis jogados, copos
quebrados. Uma onda de pavor tomou conta de Lua ao não ouvir respostas
de sua mãe. Ela finalmente ouviu um ruído baixo vindo do pequeno quarto
onde sua mãe passava a maior parte do tempo.
- Mãe! – Blanca estava caída ao lado da cama, com o rosto sangrando. Lua
abaixou-se ao seu lado. – Mamãe, o que houve? – ela perguntou entre
lágrimas.
- Seu pai, ele bebeu e...
- Ah, mãe. Me desculpe por ter te deixado sozinha! – Lua a colocou na cama e ligou para Sophia.
capítulo 7
Mariana, mãe de Sophia a acompanhou até a casa de Lua. Elas a ajudaram a
curar os ferimentos de Blanca e compraram algumas coisas para ela
comer. Quando Blanca adormeceu, Lua as chamou na cozinha.
- Eu não posso continuar assim, eu tenho que ajudá-la. Vou ter que
reconsiderar aquilo, Soph. – Lua falou. Mariana ficou sem entender.
- Reconsiderar o que Lua?
- Uma proposta de emprego. Olhe, seria pedir demais que ela ficasse na
casa de vocês durante esse tempo? Acho que volto para Guadalajara em dez
ou onze meses. Vou mandar o dinheiro pelo correio para cobrir as
despesas, mas não posso levá-la junto e não posso deixá-la sozinha.
- Lua, querida, você se tornou muito importante nas nossas vidas, não a
vemos mais como uma funcionaria, mas uma irmã para Soph e uma filha para
mim. Vá, nós cuidamos de Blanca, mas por favor, tome cuidado.
Lua agradeceu a ambas. Mariana levou Blanca para sua casa naquele dia.
Sophia e Lua saíram para comprar algumas coisas que ela deveria levar para a capital.
- Preciso mudar o cabelo, sabe, se eu vou para a capital preciso estar mais apresentável e não com essa aparência de roceira.
- Por que não pinta com essa cor? Eu compro e te levo ao salão agora!
As duas partiram no carro de Sophia. Lua pintou os cabelos com o loiro
brilhante que Sophia havia escolhido, e que Lhe caíra muito bem. Fez
baby liss ... Estava quase irreconhecível se não fosse pela cor de seus
lindos olhos que a entregavam.
Lua fez as malas mais uma vez e se despediu de todas. Havia ligado para
Carla que havia ficado radiante com a reconsideração de Lua.
- Se cuida, Lu. Essa mulher é louca!
- Não é com isso que eu estou mais preocupada. – elas conversavam a caminho da casa dos Aguiar.
- Com o que é então? – Lua mordeu os lábios e respirou fundo.
- Eu nunca fiz isso Soph, eu estou com medo. Eu mal conheço esse cara e eu tenho a leve impressão de que ele me odeia.
- Eu ainda acho que é loucura, Lua. Mas se você mudar de ideia, me ligue imediatamente.
Elas se despediram e Lua saiu do carro, dessa vez com duas malas, com as
roupas que Sophia havia lhe comprado. Ela tocou a campainha duas vezes,
estava escuro e frio lá fora. Arthur atendeu.
- Ah, Lua? Você, está diferente. – ele disse, surpreso. Ela apenas sorriu. – Venha, entre. Carla está no banho.
Lua entrou e esperou que ele fechasse a porta.
- Venha, vou lhe mostrar o seu quarto. – ele pegou as malas de Lua e
subiu com ela até o segundo andar. O quarto de Lua era grande, com uma
cama de casal revestida com lençóis impecavelmente brancos. – É, Lua...
Você não precisa fazer isso. – ele disse um tanto sem jeito.
- Eu preciso desse dinheiro mais do que você imagina. – ela disse com os olhos marejados novamente.
- Está tudo bem? – ela não conseguiu se segurar. Esteve controlada o
tempo todo na frente de sua mãe, mas naquele momento ela desabara de
vez. Não poderia continuar a deixar sua mãe naquele estado, enchia-se de
dor ao ver o sofrimento dela por causa de seu pai, ela contou tudo isso
a Arthur que a escutara pacientemente.
- Eu sinto por isso, Lua. Confesso que eu não estou exatamente
entusiasmado com essa situação, mas Carla está me cercando. Sei que está
com medo, mas vou tentar fazer com as coisas sejam mais... fáceis
possível para você, está bem? – ela assentiu com a cabeça. Arthur não
era um homem tão mal e insensível afinal.
Lua se acomodou no quarto. Guardou suas roupas no armário, organizou
seus objetos de higiene pessoa no banheiro que havia dentro do quarto e
vestiu roupas mais leves. Estava na sala de jantar, jantando com Carla e
Arthur.
Continua......

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