— Qual era o nome do homem?
— Droga, Lua, que diferença faz? — retrucou Arthur, nervoso. — Ele tinha o seu retrato, não basta?
— Não. — ela balançou a cabeça devagar, tornando a fitá-lo com os olhos dourados. — Porque, não importa o que você pense, Arthur, a mulher do retrato não sou eu.
Diante do ceticismo dele, ela sorriu, sem achar graça.
— Não, Arthur, não sou — insistiu. — Andre Souter jamais poderia ter me retratado porque eu jamais o conheci! Mas parecia que minha mãe pode tê-lo conhecido — acrescentou, com tanta calma que ele tremeu ao ouvir aquilo.
A mãe dela?
Lua estava tentando dizer que a mulher no retrato era sua mãe?
Será que ela achava que Arthur era burro? Claro que era Lua na pintura. Não podia ser outra pessoa.
Podia?
Arthur franziu a testa.
— Você está me dizendo que é igualzinha à sua mãe quando ela tinha sua idade?
Ela deu um sorrisinho.
— Veja bem, é uma pergunta difícil de responder...
— Por quê? — interrompeu, irritado. — Como pode ser difícil saber se você se parece ou não com a sua mãe?
Lua olhou para Arthur se sentindo impotente e entendendo a incredulidade dele, até mesmo solidária, mas ao mesmo tempo sabendo que não tinha a resposta que ele queria.
Exceto por uma...
— E se eu lhe disser que sou adotada?
Arthur parou de andar pelo escritório, encarando-a com olhos incrédulos. Ela realmente estava querendo lhe dizer, querendo que ele acreditasse...?
Mas por que não?

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