Após algum tempo de conversa. Carla passou as instruções a Lua, a que
horas ela deveria estar lá novamente para que pudessem a levar para
fazer alguns exames na manhã seguinte.
- Por que você disse aquilo, Arthur! Você sabe que é melhor que você...
- Chega! Eu não quero mais escutar isso. Vou ligar para o Doutor Otávio e
dizer que reconsideramos a inseminação na garota. Não há mais nada a
ser discutido.
Apesar de ter sido contrariada, Carla estava esperançosa, pois Lua era
bastante jovem e se Deus quisesse muito saudável. Então, tudo daria
certo, e ela finalmente poderia realizar o sonho e a obsessão em ser
mãe.
Lua acordou cedo, tomou um banho e pegou mais um ônibus até a capital.
Faria os exames para finalmente ir para a parte principal de tudo
aquilo. Ainda estavam discutindo sobre o preço, que seria alto, o
bastante para ajudar sua família, para manter sua mãe bem e ajudar seu
pai. Ela chegou na grande casa do casal e tocou a campainha
uma vez, quem abriu foi Arthur, já com a chave do carro na mão.
- Bom dia. – ela disse sem jeito.
- Bom dia. Carla teve um imprevisto na empresa e precisou ir até lá. Eu
vou levá-la para fazer os exames. – ele disse frio e ríspido. Lua se
incomodava com isso, que culpa ela tinha, afinal? Era ele quem estava no
jornal pedindo por um garota jovem e saudável para gerar um filho dele.
Ela apenas concordou com a cabeça e o acompanhou até o carro. Ele abriu
a porta para que ela entrasse. Estavam em silencio absoluto dentro do
carro.
- Se importa se eu ligar o rádio? – ele perguntou.
- Não. – Lua murmurou. Ele ligou o rádio em uma estação qualquer e foram apenas ouvindo a música o caminho inteiro.
Chegaram a clínica e foram direto para a ginecologista de Carla que
atenderia Lua. Lua passou por uma série de exames, sangue, urina,
ecografias, HIV... Tudo para ter certeza de que estava em perfeitas
condições para gerar o herdeiro da família Aguiar. Arthur a acompanhou
em silencio em todos os exames. Ele se sentou na cadeira do consultório
enquanto Lua passava para uma sala ao lado divida apenas por uma cortina
para realizar o exame de toque.
- Ah, você é virgem, Lua! – a doutora exclamou. Lua corou e acenou com a
cabeça. Arthur corara também ao ouvir. Pigarreou ao vê-las voltando
para o consultório.
- Então, os resultados ficam prontos em torno de duas horas. Mas pelo
que pude ver você está ótima, Lua. Vamos esperar pelos resultados.
- Claro, enquanto isso nós podemos ir comer alguma coisa. O que acha? – Arthur perguntou ainda sério.
- Claro, por mim tudo bem.
Lua e Arthur foram ao restaurante ao lado da clinica. Estavam em silencio durante o almoço, quando Arthur resolveu quebrá-lo.
- Olha, me desculpe por estar sendo tão rude o tempo todo. – ele falou
pensativo. Lua apenas acenou de leve com a cabeça. – É só que... Eu não
concordo muito com isso, entende? Não que eu não queira ser pai, eu
quero. Mas acho isso exagero demais. Eu não me importaria em adotar, mas
Carla faz questão de ter um filho que seja meu pelo menos, e ela já
está me deixando louco.
Lua apenas olhava sem jeito, via o sofrimento nas palavra de Arthur.
Carla tinha jeito de realmente ser difícil, ainda mais com aquela
ansiedade por ser mãe. O celular de Arthur tocou, Lua voltou a comer
enquanto ele falava.
- Era minha irmã, preciso pegar meu sobrinho na escola. Quer vir junto?
- Claro, tudo bem – ela disse um tanto desconcertada. Arthur pagou a
conta e os dois saíram. Dentro do carro, Arthur abria e fechava a boca
procurando as palavras certas para perguntar algo a Lua.
- Mas, e você... Por que está fazendo isso? Você é só uma garota, poderia estar fazendo tantas coisas...
- Tenho meus motivos. – foi tudo o que ela conseguiu dizer. Ele assentiu com a cabeça.
- Chegamos. Eu já volto.
Lua o observou sair do carro. Ele estava vestido em um par de jeans
escuros, e uma camisa social branca. Ele se agachou e abriu os braços.
Um pequeno garotinho de cabelos castanhos pulou em seus braços. Arthur o
colocou no banco de trás e passou o cinto por ele.
- Onde está a tia Carlinha? – o garotinho perguntou olhando para a garota de cabelos negros em sua frente
- Está trabalhando. Esta é Lua, amiga da tia Carla. E esse é meu sobrinho, Miguel.
Continua.....

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