— Você almoçou hoje? — ele perguntou, desconfiado.
— Na verdade... — Lua sentou-se e bebeu um pouco da água gelada. — ...não.
Ele balançou a cabeça e voltou à geladeira.
— Por que não? — perguntou, pegando uma barra de chocolate e entregando a ela. — Coma — ordenou. — Você vai se sentir melhor.
De algum modo Lua
duvidou, mas o chocolate certamente não a faria mal. Ela ouvira que
doce fazia bem para quem estava em choque, o que era o caso.
Olhando novamente para o retrato, lentamente mordiscou dois pedacinhos da barra.
A
mulher no quadro era linda, mais do que ela. Arthur não percebia
aquilo? E tinha um ar provocativo, uma sensualidade, aqueles olhos
dourados semifechados, como se escondesse um segredo.
Lua sentiu que recomeçara a tremer e refletiu sobre qual poderia ser o segredo.
Ela comeu mais dois pedaços de chocolate antes de perguntar:
— Onde você comprou isso?
— Já lhe disse, no norte a Inglaterra — Arthur andava de um lado para o outro no escritório.
Lua o olhou com impaciência.
— Pode ser mais
específico? De quem você o comprou? Onde eles conseguiram o quadro? —
de repente era vital que ela soubesse daquilo.
Arthur franziu a testa.
— Comprei de um jovem
casal que acabara de herdar uma casa de um tio-avô ou coisa parecida.
Eles jamais viram o quadro antes de o homem morrer porque o velho
mantinha o quadro pendurado no próprio quarto — ele contou, com um pouco
de raiva.
Arthur não podia dizer
que se sentia à vontade com um velho babando diante do retrato de uma
mulher, Lua!, que tinha idade para ser filha dele, se não neta.
Mas
o casal não sabia nada sobre a mulher no retrato, quem era ela ou como o
tio-avô adquirira o quadro. Arthur sabia quem era a mulher, mas não
tinha a menor idéia do que o retrato fazia no quarto de um velho e não
nas mãos do homem que a pintara com tanto amor.
E não parecia que Lua estava a fim de esclarecer tais questões!
Ela molhou os lábios.
Continua.....

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