- Mas você sempre me disse que não entendia nada de balé - lembrou ela.
- Realmente,não entendo - admiti -, mas eu sei tudo sobre você. E sei
que você não é do tipo que desiste facilmente. Você só é muito teimosa.
Quer dizer, persistente.
Seu lábio inferior começou a tremer e ela cobriu a boca com o punho.
- Ser persistente não é a mesma coisa que ser talentosa - afirmou.
- Não. É muito mais difícil.
Ela abriu um pequeno sorriso.
- Tudo o que você precisa agora é um pouco mais de confiança -
continuei. - E da professora certa. Precisa achar a professora certa que
vai aumentar a sua confiança neste verão.
- Talvez - eu vi uma ponta de esperança em seus olhos.
- Está tudo aqui - falei, batendo de leve com a mão na cabeça. - Você
pode conseguir. Se acreditar que pode, os outros também acreditarão.
Os seus olhos me disseram que ela queria que isso se tornasse verdade.
- Como você sabe essas coisas, Lua?
Soltei uma gargalhada.
- Não se lembra do grande sermão que você me deu no ano passado, quando
eu perdi aquele lance livre nos segundos finais do jogo de basquete do
torneio? Não se lembra de quando eu decidi tentar ser lançadora? E dos
bilhetes que me escreveu depois de todos aqueles miseráveis jogos de
hóquei em que você e mais quatro parentes foram assistir? Eu guardei
aquelas cartas, sabe?
Ela esticou o braço por cima da mesa, colocando seus dedos macios sobre a minha mão.
- Se você não continuar tentando - argumentei -, como eu vou ter força
para continuar na próxima vez em que me sentir uma fracassada?
Ela balançou a cabeça, concordando.
- Acho que eu vou ter de continuar, então. Falando em fracasso... - disse docemente - sobre o Tim...
Eu fiz que não me importava, enquanto comia um fio de queijo derretido que saía do meu calzone.
Continua.....

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