quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Barriga de Aluguel capítulo 20
Tinha medo daquele lugar, medo de tudo aquilo prejudicar seu bebê, mas sair dali era impossível, ainda mais do jeito que estava. Carla a obrigava a engolir os calmantes, esperava que ela engolisse e abrisse a boca mostrando que havia ingerido.
- Muito bem. – Carla dizia quando acabava de inspecionar. Lua não sabia até quando aguentaria.
Lua chorava baixinho enquanto alisava a barriga. Já se perdera no tempo, não fazia ideia de quanto tempo havia se passado desde que Carla a trancara. Via o sol ir e vir pela pequena janela do sótão. Já faziam alguns minutos desde que Carla levara a ela o calmante, que começava a fazer efeito novamente. Uma onda de mágoa tomava conta de seu corpo novamente. Ela se levantou e tentou caminhar até a porta, mas seu corpo estava cansado, dolorido... Sentia como se todos seus ossos estivessem enferrujados por falta de uso. Caiu ao tentar se levantar. Arrastou-se até a porta e encostou-se lá.
Arthur estava no andar de cima, deitado em sua cama, quando pôde ouvir um baque vindo do teto. Há muito o velho sótão não era usado, sempre esteve fechado. Decidiu subir e verificar. Subiu e parou diante da porta. Nenhum som. Forçou a maçaneta mas estava trancada.
- Tem alguém aí? – ele murmurou.
-Thu...– a voz de Lua estava falha, nada saia além de um simples sussurro. Não conseguia mover seus braços ou pernas, o efeito da medicação se espalhara. Lua colocou a mão na porta e apoiou sua cabeça lá. Arthur desistiu e desceu as escadas novamente.
Lua não sabia quanto tempo mais poderia aguentar.
Carla teve que forçar a porta ao entrar, Lua estava sentada lá, como um peso de papel, sem se mexer. Ela a arrastou até a cama empoeirada e a colocou sobre ela.
- Hora da medicação. – ela disse a Lua. Dessa vez, Lua tentaria passar a perna nela em relação ao comprimido. Carla passou-lhe o remédio e Lua o colocou debaixo da língua. Abriu a boca para mostrar-lhe que havia engolido.
- Muito bem, Lua. Pelas minhas contas você deve estar com oito meses e meio. Já está quase na hora. – Carla disse com um largo sorriso em seu rosto. Deixou-a sozinha e Lua logo se desfez do comprido em sua boca.
Em algumas horas deveria estar completamente acordada.
Continua.....
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