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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

[FIC] Mentiras e Segredos 11º e12º Capitulo

Gravação!!!!

Independentemente dos objectivos do Arthur, eu mantinha os meus. Queria trabalhar e viver em paz. Queria manter-me de cabeça erguida e aguentar-me sem ter de me esconder outra vez. E, suspirei para mim mesma, queria ser boa actriz o suficiente para conseguir convencer o mundo inteiro que o Arthur já não me afectava minimamente...

Enquanto entrava finalmente em casa, pensei para mim que esse último não era exactamente um objectivo...estava mais perto de ser um sonho!

(Arthur)

Finalmente, primeiro dia de gravação. E claro, gravação com a Lua estava no plano. Uma cena intensa e...complicada, pensei para mim mesmo enquanto conduzia em direcção ao estúdio.

Ao chegar lá, sentia-me como um miúdo inexperiente...pela primeira vez em muito tempo, sentia um medo terrivel de ir gravar. Corrigi-me mentalmente, obrigando-me a ser honesto pelo menos para mim prório... o medo que sentia não era de gravar, mas sim de durante a gravação me esquecer de que éramos Luis e Raquel e acreditar que éramos Arthur e Lua!...

Ver a Lua, tocar-lhe... afectava-me demasiado! Tinha-me já apercebido que não deveria ter sido tão confiante ao voltar... Procurando afectá-la, acabei por ser eu o afectado...e agora era tarde para entregar as cartas e sair de jogo. Tinha armado tudo para ter confusão...e agora ia ter de a aguentar até ao fim!

Fechei o carro e dirigi-me para o estúdio, sem reparar que logo depois de mim tinha estacionado um utilitário vermelho-escuro.

A Lua tinha chegado.
(Lua)

Fiquei um pouco mais no carro, vendo o Arthur afastar-se em direcção ao estúdio. Se as mãos suadas e o aperto que sentia no estômago eram prenúncio de alguma coisa, só podia ser de que o dia de hoje não ia ser fácil!...

Esperei até ele entrar antes de sair do carro e dirigir-me eu própria para lá. Estava na hora de começar a ser Raquel e não Lua...e em silêncio, rezei para não me esquecer disso ao longo do dia de hoje...do longo dia de hoje!...
 (Arthur) 

Estávamos no set, prontos a gravar. Olhei de relance para a Lua, que estava de facto diferente, com as longas ondas do cabelo mais escuras. Ela olhou para mim também, e arqueou a sobrancelha em tom de interrogação. Achei mais seguro ignorar e centrar-me de novo no roteiro que tinha na mão...e que já tinha revirado inúmeras vezes.

A voz de comando do Ivan provocou-me um aperto no estômago.

“Aos vossos lugares!”, eu e a Lua movemo-nos pela sala, colocando-nos frente a frente junto a parede e fixando olhos nos olhos, “Quando quiserem!”

Fechei os olhos e tentei concentrar-me. O perfume dela penetrava-me pelas narinas e enchia-me de memórias, dificultando a tarefa de me tornar Luis em vez Arthur.

Abri finalmente os olhos e, olhando para o Ivan de relance, fiz-lhe um breve aceno, mostrando que estava pronto.

“Muito bem!”, gritou o Ivan, “Gravando!”
Inclinei-me sobre a Lua, apoiando uma mão na parede atrás dela e percorrendo o corpo dela com o olhar.

Luis: Não vais a lado nenhum, Raquel. Divórcio, para mim, não existe.

Ela fixou-me, com uma mistura de medo e desejo nos olhos. O meu corpo pressionou contra o dela e eu segurei-lhe as mãos contra a parede de ambos os lados da cabeça.

Ela parecia pequena e ligeira, com as curvas suaves apertadas contra o meu peito. E as memórias invadiram-me. O calor da pele dela, a textura... 


Raquel: Larga-me, Luis. Tu não me amas, só me desejas! E mesmo isso, é só porque achas que sou mais um dos teus bens. Mais uma aquisição que não queres perder!

A voz dela tinha mágoa e raiva, com leves traços de insegurança. E, mergulhado naqueles olhos, eu já não tive certeza se quem disse aquele “És minha!” sussurrado contra os lábios dela fui eu ou o Luis.

Os lábios eram suaves e pareceram derreter-se sob os meus. Risquei a boca dela com a língua, percorrendo a comissura dos seus lábios para a persuadir a abri-los para mim. O desejo era ardente e ávido, correndo velozmente através das minhas veias com um tipo de fome que endureceu o meu corpo até uma dor intolerável
.
Beijei-a uma e outra vez, incapaz de saciar-me, incapaz de afastar-me dela. O meu corpo empurrava agressivamente contra o dela e envolvia-a entre os meus braços, arrastando-a para tão perto que logo só havia espaço entre nós para as roupas que vestíamos. Sentia-me faminto dela. Tremia de desejo. Com uma necessidade feroz de abraçá-la para sempre.

- Quero parar o tempo, Lua. Quero que o mundo inteiro desapareça e nos permita só estar juntos. - sussurrei contra o ouvido e retornando á boca dela, da qual não me conseguia satisfazer por completo
- Como o fazes? Como consegues fazer-me sentir fora de controle só por respirar o mesmo ar que tu?
-Não fales. Beija-me. - ela deslizou os braços ao redor do meu pescoço, movendo os lábios sinuosamente sobre os meus, daqui para lá...diminutos beijos brincalhões desenhados para me deixar louco.
- Outra vez, Arthur. Beija-me outra vez.
Beijei-a com cada fibra do meu ser, cada emoção do meu coração. A luxúria e o amor... tudo se misturava fazendo com que não pudesse afastar-me dela.
O toque dela. O sabor dela. A boca que me provocava até um terrível desejo....


“Corta!”, a voz do Ivan a trazer-me de volta ao presente, do qual eu tinha escapado sem sequer ter noção. Sentia a cabeça ás voltas e tive de me encostar a uma mesa do cenário que se encontrava ali ao lado.

A Lua fitava-me, ainda encostada á parede, com a boca vermelha pelo beijo e uma expressão indecifrável nos olhos.
(Lua)

Não fui capaz de me afastar da parede. Sentia os joelhos a tremer, e, honestamente, já não fazia ideia do que dizia o roteiro. A única coisa que eu sabia era que, se ao início tinha sido actuação, algures durante a cena ambos tínhamos parado de actuar.

O Arthur parecia tão abalado quanto eu, mas eu sentia-me demasiado fraca e trémula para me sentir feliz por isso. Talvez mais tarde, quando analisasse o que se tinha passado, conseguisse algum tipo de satisfação por saber que eu também o abalava...mas neste momento, eu dava tudo para que ele conseguisse articular duas palavras e arranjasse uma explicação coerente que satisfizesse o Ivan e calasse todo o pessoal que ali se encontrava ansioso por uma nova fofoca...

Infelizmente, percebi pelo olhar e palidez dele que não ia ter tanta sorte assim...
(Arthur)

Sentia-me tão confuso que não conseguia pensar em nada. A expressão da Lua não me esclarecia acerca do que lhe ia na cabeça...parecia uma mistura de confusão e súplica, que não consegui interpretar.

Ela desviou finalmente o olhar e eu senti-me ainda pior...até perceber que o Ivan se tinha aproximado e era a ele que ela olhava agora. O aperto no estômago tornou-se mais forte! Eu tinha-me esquecido por completo de onde estávamos!
Fechei os olhos com força, rezando por um milagre que nos tirasse daquela situação.

“Um qualquer, meu Deus! Por favor!”, pensei com toda a força que consegui...

Na verdade, não acreditava que Deus estivesse com grande vontade de me ajudar naquele momento...
(Lua)

Honestamente, começava a ficar preocupada com o Arthur. Ele estava realmente pálido, mesmo sob a maquilhagem de estúdio.
Mas de momento tinha o Ivan na minha frente á espera de explicações...e prioridades são prioridades! O Arthur que fosse para o inferno!

“A cena foi intensa!”, o tom de voz desceu um pouco, subtilmente, “Mas isso foi um pouco fora do roteiro, não?...”

Apesar de se ter aproximado de mim, olhava de relance para o Arthur com ar de preocupação.

“Ahhnn... Sim, eu sei.”, murmurei enquanto procurava desesperadamente uma ideia fantástica que justificasse o injustificável.
Olhei para o Arthur. Não parecia tão pálido, mas concluí que dali não teria nenhum tipo de ajuda. Voltei a olhar para o Ivan, que me fitava de braços cruzados e ar de interrogação. Felizmente para mim, a raiva começava a tomar o lugar da confusão...e, mal por mal, eu era mais coerente raivosa do que apaixonada. Não! Apaixonada não!

“Esquece, Lua! Ivan. Á tua frente. Explicação. Pensa! Rápido!”

Voltei a olhar para o Ivan.

“Hmmm...eu... e o Arthur...hmmm...estivemos a falar sobre as personagens e... ahnnn... concluímos que há uma certa falha na descrição da relação deles....”

Fiz uma pausa, tentando parar de gaguejar. O Ivan continuava a ouvir-me.
“Hmmm...ela é doida por um homem completamente frio e insensível que nunca lhe deu nada de bom nem foi capaz de a amar... Não te parece inverosímel demais até para novela?”, a minha voz era hesitante, á medida que eu ia improvisando.

Respirei fundo e tentei construir um pensamento que soasse lógico.

“Ele tem de ter alguma coisa que a faça não conseguir afastar-se dele. Algum tipo de fogo ou desejo incontrolável por ela. As grandes paixões vivem disso...e se queres que o público torça por eles...vais ter de os convencer que ele precisa dela de alguma forma...nem que seja só por esse desejo louco.”

Calei-me. Sentia que me tinha traído demasiado, mas o Ivan parecia estranhamente pensativo.

Olhou para o Arthur, que continuava encostado á mesa, mas parecia ligeiramente mais recomposto.

“Tenho de pensar sobre isso.”, fitou-me novamente, “De facto, a cena ficou óptima. Quase real.”, acrescentou com ar de gozo e em voz mais baixa.

“Mas por favor, antes de decidirem fazer alterações e novas interpretações dos vossos personagens, avisem-me, de acordo?”, o tom de voz era o suficiente para que apenas eu e o Arthur ouvíssemos, e o olhar dele oscilava ente ambos. Acenámos com a cabeça em concordância.

“Muito bem! Tudo a correr bem! Assim é que se trabalha! Continuemos!”, gritou para todo o pessoal presente e, virando-se para trás, acrescentou com o que eu juraria que era apenas um leve traço de ironia “Benvindos de volta!”

Soltei finalmente a respiração que estava a prender sem ter noção e troquei um olhar com o Arthur.

Decididamente, tínhamos muito que conversar.

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