Conversar!!!!
Ouvi a Lua falar com o Ivan, e de algum modo senti que as minhas preces desesperadas tinham sido atendidas. Forcei-me a ouvir o que ela dizia numa tentativa vã de a auxiliar.
Ela ia olhando para mim brevemente, como que em busca de uma ajuda que infelizmente me sentia incapaz de lhe dar. Tinha mil pensamentos a passarem pela minha cabeça por segundo, e não conseguia articular um único em palavras.
Mas ela pareceu conseguir improvisar uma explicação sem precisar de mim.
E se eu não tivesse estado colado a ela 5 minutos antes e não tivesse sentido o calor do corpo dela, o desespero na forma como me beijou e o bater descompassado do coração contra o meu... quase que acreditaria na explicação que ela dava ao Ivan. Quase.
Mas, independentemente de tudo, o que ela dizia fazia sentido. O que só ia dificultar o nosso trabalho se o Ivan decidisse seguir essa linha de pensamento de desejo incontrolável!
Impedi-me a mim mesmo de suspirar, tentando fixar-me de novo na explicação da Lua e percebendo que ela já estava em silêncio. O Ivan alternava o olhar entre mim e a Lua, como quem espera uma resposta. Olhei para ela e vi-a acenar, concordando com algo que eu não fazia ideia do que era. Quando fiz o mesmo, esperei secretamente não estar a concordar com a minha condenação.
O Ivan afastou-se gritando ordens e eu olhei para a Lua. Desta vez suspirei mesmo, percebendo claramente a mensagem dos olhos dela. Sim, tínhamos mesmo de conversar.
(Lua)
Passamos o resto da manhã num ambiente o mais profissional possível, mas a tensão entre mim e o Arthur era palpável. Depois de me acalmar um pouco, a vontade de o matar aumentou exponencialmente.
ELE fazia-me perder a cabeça com um beijo daqueles no meio das gravações...e EU é que tinha de nos tirar da confusão?!
Cerrei os dentes e os punhos, sentindo-me ferver de raiva. Sabia que apesar da tentativa do Ivan de que o acontecido parecesse normal e não virasse fofoca...isso era completamente impossível. Quase sentia no ar os comentários. E isso não contribuía em nada para melhorar o meu humor.
“Lua!”, a voz da Soph tirou-me dos meus pensamentos e eu parei no corredor.
“Ias a pensar em quê, com esse ar tão furioso?”, perguntou com um sorriso, “Espero que não fosse em mim!...”
Antes que eu conseguisse responder-lhe ela levantou a mão, para me impedir de o fazer.
“Não respondas! Tenho uma vaga ideia de quem é a vítima nos teus pensamentos assassinos hoje!”, baixou subtilmente a voz para que só eu ouvisse, “Ouvi o que aconteceu no estúdio C...”
O meu olhar não deve ter sido tão ameaçador como eu me sentia, porque ela limitou-se a rir.
“Então é mesmo verdade...”, olhei-a de novo com fúria, mas ela limitou-se a dar-me o braço e virar em direcção ao refeitório com ar casual.
“Sabes que vais ter de me contar tudo sobre o teu primeiro dia de regresso ao trabalho duro, não sabes?”, e o seu tom tinha apenas um traço de ligeira diversão... o suficiente para que ninguém a não ser eu captasse a base de preocupação que estava por baixo.
Rendi-me e deixei-me conduzir, enquanto ela tagarelava sobre tudo um pouco que tinha acontecido nos últimos dias...não mencionando mais nada acerca do Arthur ou do estúdio C.
“E é por isso”, pensei para com os meus botões enquanto comia distraída, “que a Soph foi uma das poucas amigas que guardei nestes anos todos!...”
Passamos o resto da manhã num ambiente o mais profissional possível, mas a tensão entre mim e o Arthur era palpável. Depois de me acalmar um pouco, a vontade de o matar aumentou exponencialmente.
ELE fazia-me perder a cabeça com um beijo daqueles no meio das gravações...e EU é que tinha de nos tirar da confusão?!
Cerrei os dentes e os punhos, sentindo-me ferver de raiva. Sabia que apesar da tentativa do Ivan de que o acontecido parecesse normal e não virasse fofoca...isso era completamente impossível. Quase sentia no ar os comentários. E isso não contribuía em nada para melhorar o meu humor.
“Lua!”, a voz da Soph tirou-me dos meus pensamentos e eu parei no corredor.
“Ias a pensar em quê, com esse ar tão furioso?”, perguntou com um sorriso, “Espero que não fosse em mim!...”
Antes que eu conseguisse responder-lhe ela levantou a mão, para me impedir de o fazer.
“Não respondas! Tenho uma vaga ideia de quem é a vítima nos teus pensamentos assassinos hoje!”, baixou subtilmente a voz para que só eu ouvisse, “Ouvi o que aconteceu no estúdio C...”
O meu olhar não deve ter sido tão ameaçador como eu me sentia, porque ela limitou-se a rir.
“Então é mesmo verdade...”, olhei-a de novo com fúria, mas ela limitou-se a dar-me o braço e virar em direcção ao refeitório com ar casual.
“Sabes que vais ter de me contar tudo sobre o teu primeiro dia de regresso ao trabalho duro, não sabes?”, e o seu tom tinha apenas um traço de ligeira diversão... o suficiente para que ninguém a não ser eu captasse a base de preocupação que estava por baixo.
Rendi-me e deixei-me conduzir, enquanto ela tagarelava sobre tudo um pouco que tinha acontecido nos últimos dias...não mencionando mais nada acerca do Arthur ou do estúdio C.
“E é por isso”, pensei para com os meus botões enquanto comia distraída, “que a Soph foi uma das poucas amigas que guardei nestes anos todos!...”
(Arthur)
A manhã demorou a passar...cada cena uma tortura, cada minuto como se fossem horas. E os olhares que a Lua me atirou o tempo todo não ajudavam...estava furiosa e disposta a matar-me de várias formas possíveis. Todas, tinha a certeza absoluta, extremamente lentas e dolorosas.
Sentado fora do cenário enquanto aguardava a minha vez de gravar, não conseguia parar de olhar para ela.
A Lua que eu tinha encontrado quando cheguei não era a mesma que eu recordava. Mas esta Lua, que apesar de abalada, tinha encontrado resposta para dar ao Ivan de manhã cedo...esta Lua que aguentava o desgaste que é manter a raiva á flor da pele durante horas e horas e mesmo assim conseguia ser profissional o suficiente para que não houvesse nada de repreensível no trabalho dela...esta sim, já se parecia mais com a Lua que eu me lembrava.
Olhando para ela, aparentemente tão concentrada, pensei por momentos se aquela Lua derrotada e chorosa não tinha sido apenas mais uma actuação, mais uma personagem feita para me enfraquecer...
“E aí, companheiro, que tal é estar de volta?”
Olhei para o lado enquanto o Mica se sentava ao meu lado.
A surpresa não foi fingida...nem a alegria por ver mais uma cara conhecida.
“Ei! Não sabia que também estavas por cá!”, e depois lembrei-me que o Bernardo tinha mencionado algo sobre ele “Não te vi em nenhuma das reuniões chatas do início do mês...sortudo!”
Ele riu-se, explicando a sobreposição entre o final do trabalho anterior e o início deste.
“E aí, voltaste com a Lua?”, o tom não era de ironia nem de curiosidade. Parecia simplesmente conversa, mesmo.
Abanei a cabeça, incrédulo. Cinco anos e o Mica continuava com tanto tacto como sempre...
“Não. Porquê a pergunta?”, respondi fazendo-me desentendido. Se havia coisa que ele não entendia era a subtiliza...e eu decidi aproveitar-me um pouco disso.
A manhã demorou a passar...cada cena uma tortura, cada minuto como se fossem horas. E os olhares que a Lua me atirou o tempo todo não ajudavam...estava furiosa e disposta a matar-me de várias formas possíveis. Todas, tinha a certeza absoluta, extremamente lentas e dolorosas.
Sentado fora do cenário enquanto aguardava a minha vez de gravar, não conseguia parar de olhar para ela.
A Lua que eu tinha encontrado quando cheguei não era a mesma que eu recordava. Mas esta Lua, que apesar de abalada, tinha encontrado resposta para dar ao Ivan de manhã cedo...esta Lua que aguentava o desgaste que é manter a raiva á flor da pele durante horas e horas e mesmo assim conseguia ser profissional o suficiente para que não houvesse nada de repreensível no trabalho dela...esta sim, já se parecia mais com a Lua que eu me lembrava.
Olhando para ela, aparentemente tão concentrada, pensei por momentos se aquela Lua derrotada e chorosa não tinha sido apenas mais uma actuação, mais uma personagem feita para me enfraquecer...
“E aí, companheiro, que tal é estar de volta?”
Olhei para o lado enquanto o Mica se sentava ao meu lado.
A surpresa não foi fingida...nem a alegria por ver mais uma cara conhecida.
“Ei! Não sabia que também estavas por cá!”, e depois lembrei-me que o Bernardo tinha mencionado algo sobre ele “Não te vi em nenhuma das reuniões chatas do início do mês...sortudo!”
Ele riu-se, explicando a sobreposição entre o final do trabalho anterior e o início deste.
“E aí, voltaste com a Lua?”, o tom não era de ironia nem de curiosidade. Parecia simplesmente conversa, mesmo.
Abanei a cabeça, incrédulo. Cinco anos e o Mica continuava com tanto tacto como sempre...
“Não. Porquê a pergunta?”, respondi fazendo-me desentendido. Se havia coisa que ele não entendia era a subtiliza...e eu decidi aproveitar-me um pouco disso.
“Bem...está toda a gente a comentar o beijo muito pouco profissional que vocês deram de manhã cedo...achei que tivessem voltado e simplesmente não conseguissem manter as mãos afastadas um do outro!”, o tom de voz e o leve encolher de ombros confirmaram-me que ele não tinha a mínima noção de que 99% das pessoas não abordariam aquele assunto comigo hoje...muito menos com tanto à-vontade!
“Afinal,”, continuou ele, “Vocês nunca conseguiram mesmo descolar um do outro... Sempre achei uma idiotice que toda a gente tivesse acreditado naquela história dela e do André! Ela era claramente louca por ti!”
O murro que senti no estômago doeu mais do que se tivesse sido físico. Eu não tinha esquecido. Não tinha. Mas a verdade é que, inconscientemente, tinha-me obrigado a não pensar nesse assunto durante anos, relegando-o para um canto escuro da minha memória.
O Mica olhou para mim, percebendo finalmente que talvez aquele não fosse um assunto adequado.
“Desculpa aí, Arthur! Eu só pensei que já tivesses ultrapassado isso...apesar do escândalo que foi, no fundo a ti não te afectou tanto assim, certo? Estavas em Portugal na altura, não aqui...”
“Foi por causa disso que fui para Portugal, Mica...”, falei olhando para a frente, com a cabeça encostada á parede. O meu tom era de quem queria que a conversa terminasse por ali. Claro, era o Mica. Indirectas não são com ele...
“Porquê?! Afinal foi por isso que vocês acabaram?!!??”, ele parecia genuinamente incrédulo com essa hipótese, e se o assunto ainda não me fosse tão doloroso, eu quase poderia ter rido da situação...
“Afinal,”, continuou ele, “Vocês nunca conseguiram mesmo descolar um do outro... Sempre achei uma idiotice que toda a gente tivesse acreditado naquela história dela e do André! Ela era claramente louca por ti!”
O murro que senti no estômago doeu mais do que se tivesse sido físico. Eu não tinha esquecido. Não tinha. Mas a verdade é que, inconscientemente, tinha-me obrigado a não pensar nesse assunto durante anos, relegando-o para um canto escuro da minha memória.
O Mica olhou para mim, percebendo finalmente que talvez aquele não fosse um assunto adequado.
“Desculpa aí, Arthur! Eu só pensei que já tivesses ultrapassado isso...apesar do escândalo que foi, no fundo a ti não te afectou tanto assim, certo? Estavas em Portugal na altura, não aqui...”
“Foi por causa disso que fui para Portugal, Mica...”, falei olhando para a frente, com a cabeça encostada á parede. O meu tom era de quem queria que a conversa terminasse por ali. Claro, era o Mica. Indirectas não são com ele...
“Porquê?! Afinal foi por isso que vocês acabaram?!!??”, ele parecia genuinamente incrédulo com essa hipótese, e se o assunto ainda não me fosse tão doloroso, eu quase poderia ter rido da situação...
“Eu sempre assumi que vocês tinham terminado por causa da tua ida para Portugal...e que aquelas notícias idiotas simplesmente tinham saído em má altura! Se bem que confesso que achei estranho nunca teres dado o mínimo de apoio à Lua na altura...ela passou bem mal com tudo o que aconteceu. Sempre imaginei que com a relação que vocês tinham, ficassem pelo menos amigos...”
Eu não queria ouvir mais nada. A conversa com o Mica tinha-me recordado o porquê de eu não poder confiar na Lua...
Eu tinha estado prestes a cair no erro de acreditar nela outra vez, naquela paixão com que ela me tinha beijado, no estremecer do corpo dela contra o meu....quase tinha perdido a cabeça só por a tocar...e agora recordava-me que não tinha sido o único a ter esses privilégios! Quantos não teriam feito o mesmo ao longo dos anos?... Antes, depois...enquanto namorávamos!...
A imagem das fotos que eu ainda guardava não me saía da cabeça. A Lua e o André...e eu tão crédulo, sem fazer ideia do que se passava nas minhas costas...
Fui interrompido nos meus pensamentos pela assistente do Ivan, Renata, que me avisou que iam gravar a minha cena.
Despedi-me vagamente do Mica e dirigi-me ao set, ainda com um sabor amargo a recordações na boca.
Eu não queria ouvir mais nada. A conversa com o Mica tinha-me recordado o porquê de eu não poder confiar na Lua...
Eu tinha estado prestes a cair no erro de acreditar nela outra vez, naquela paixão com que ela me tinha beijado, no estremecer do corpo dela contra o meu....quase tinha perdido a cabeça só por a tocar...e agora recordava-me que não tinha sido o único a ter esses privilégios! Quantos não teriam feito o mesmo ao longo dos anos?... Antes, depois...enquanto namorávamos!...
A imagem das fotos que eu ainda guardava não me saía da cabeça. A Lua e o André...e eu tão crédulo, sem fazer ideia do que se passava nas minhas costas...
Fui interrompido nos meus pensamentos pela assistente do Ivan, Renata, que me avisou que iam gravar a minha cena.
Despedi-me vagamente do Mica e dirigi-me ao set, ainda com um sabor amargo a recordações na boca.
(Lua)
Infelizmente, a tarde não passou mais rápido nem mais facilmente do que a manhã. Eu continuava furiosa, e o Arthur tinha passado algures a meio do dia de confuso e arrependido a irónico e frio como o gelo. Tínhamos tido, portanto, um óptimo ambiente de gravação!
Esperei por ele encostada ao carro, no final do dia, enquanto pensava como era possível que um homem demorasse tanto a sair daquele maldito estúdio!
Ele acabou finalmente por sair, ao fim do que me pareceu uma eternidade...olhou-me da porta do estúdio, com um olhar frio e de desprezo completo que me fez estremecer ligeiramente, e voltou novamente a atenção para a Carla e a Rayana, com quem conversava. Não parecia ter muita pressa em despedir-se.
Eu ainda estava furiosa. Completamente furiosa. E abalada. E confusa.
“E furiosa”, forcei-me a pensar, “Tu estás furiosa com ele, Lua. Capaz de o matar, lembras-te? Porque ele NÃO tem o deireito de te beijar assim...e muito menos de te deixar a tentar arranjar uma explicação conveniente! Furiosa, Lua! Concentra-te!”
A breve conversa comigo própria não parecia estar a resultar muito bem, porque quando ele se aproximou, o medo estava a ganhar terreno muito rapidamente á raiva. Mesmo antes de ele ter aberto a boca, eu sabia que não era com o Arthur que me tinha beijado hoje de manhã que ia falar...era com aquele outro que me tinha encarado na sala de reuniões dias atrás.
Ele chegou finalmente ao pé de mim...e o meu discurso, preparado e corrigido mil vezes durante o dia inteiro, simplesmente desapareceu da minha cabeça. Este Arthur assustava-me...e eu não fazia a mínima ideia de como lidar com ele!
Infelizmente, a tarde não passou mais rápido nem mais facilmente do que a manhã. Eu continuava furiosa, e o Arthur tinha passado algures a meio do dia de confuso e arrependido a irónico e frio como o gelo. Tínhamos tido, portanto, um óptimo ambiente de gravação!
Esperei por ele encostada ao carro, no final do dia, enquanto pensava como era possível que um homem demorasse tanto a sair daquele maldito estúdio!
Ele acabou finalmente por sair, ao fim do que me pareceu uma eternidade...olhou-me da porta do estúdio, com um olhar frio e de desprezo completo que me fez estremecer ligeiramente, e voltou novamente a atenção para a Carla e a Rayana, com quem conversava. Não parecia ter muita pressa em despedir-se.
Eu ainda estava furiosa. Completamente furiosa. E abalada. E confusa.
“E furiosa”, forcei-me a pensar, “Tu estás furiosa com ele, Lua. Capaz de o matar, lembras-te? Porque ele NÃO tem o deireito de te beijar assim...e muito menos de te deixar a tentar arranjar uma explicação conveniente! Furiosa, Lua! Concentra-te!”
A breve conversa comigo própria não parecia estar a resultar muito bem, porque quando ele se aproximou, o medo estava a ganhar terreno muito rapidamente á raiva. Mesmo antes de ele ter aberto a boca, eu sabia que não era com o Arthur que me tinha beijado hoje de manhã que ia falar...era com aquele outro que me tinha encarado na sala de reuniões dias atrás.
Ele chegou finalmente ao pé de mim...e o meu discurso, preparado e corrigido mil vezes durante o dia inteiro, simplesmente desapareceu da minha cabeça. Este Arthur assustava-me...e eu não fazia a mínima ideia de como lidar com ele!
(Arthur)
Não pensei que ela estivesse á minha espera. No entanto, tendo em conta a fúria com que me tinha olhado durante o dia inteiro, não deveria estar assim tão surpreendido.
Aproximei-me sem pressa, e percebi que quanto menos pressa eu demonstrava, mais nervosa ela ficava. Quando cheguei junto dela, percebi traços de medo em vez de fúria no olhar. Optimo.
“Precisas de carona?”, perguntei irónico.
Ela desencostou-se do carro.
“Claro que não!”, parecia nervosa, e isso dava-me ainda mais segurança.“Precisamos de falar...e não acho que a conversa deva ser no estúdio, onde qualquer um possa ouvir!”
Olhei-a por um momento. Estava agitada e insegura. Batia com a mão na perna compassadamente, e eu quase podia ouvi-la cantar mentalmente uma música qualquer tentando acalmar-se...o truque de sempre que, infelizmente para ela, eu reconhecia á distância.
“Ah!... Queres conversar...”, o meu tom era propositamente desinteressado, “Não vejo sobre quê, mas tudo bem, desde que não demore muito...combinei com a Carla e a Rayana mais tarde.”
Por momentos, os olhos dela voltaram a deitar fogo. Podia sentir a raiva a invadi-la...ver a transformação de um tremer de nervosismo para o de raiva. A Lua sempre tinha sido possessiva. Ver que eu não estava afinal rendido aos pés dela, e que ainda por cima tinha o descaramento de me encontrar com alguém devia ser um tormento para ela. Era essa a intenção mesmo, ou eu teria mencionado que mais tarde era só no dia seguinte e que o Bernardo, o Mica e namorado da Rayana também iriam...
“Tudo bem. Será rápido. Eu vou no meu carro e tu no teu. Onde nos encontramos?”, o tom era demasiado controlado, e, claramente, não condizia com a linguagem corporal dela.
“Se queres um lugar onde ninguém nos ouça, suponho que só a tua casa ou a minha...mas honestamente, Lua, só convido os amigos para entrarem em minha casa...”
Não pensei que ela estivesse á minha espera. No entanto, tendo em conta a fúria com que me tinha olhado durante o dia inteiro, não deveria estar assim tão surpreendido.
Aproximei-me sem pressa, e percebi que quanto menos pressa eu demonstrava, mais nervosa ela ficava. Quando cheguei junto dela, percebi traços de medo em vez de fúria no olhar. Optimo.
“Precisas de carona?”, perguntei irónico.
Ela desencostou-se do carro.
“Claro que não!”, parecia nervosa, e isso dava-me ainda mais segurança.“Precisamos de falar...e não acho que a conversa deva ser no estúdio, onde qualquer um possa ouvir!”
Olhei-a por um momento. Estava agitada e insegura. Batia com a mão na perna compassadamente, e eu quase podia ouvi-la cantar mentalmente uma música qualquer tentando acalmar-se...o truque de sempre que, infelizmente para ela, eu reconhecia á distância.
“Ah!... Queres conversar...”, o meu tom era propositamente desinteressado, “Não vejo sobre quê, mas tudo bem, desde que não demore muito...combinei com a Carla e a Rayana mais tarde.”
Por momentos, os olhos dela voltaram a deitar fogo. Podia sentir a raiva a invadi-la...ver a transformação de um tremer de nervosismo para o de raiva. A Lua sempre tinha sido possessiva. Ver que eu não estava afinal rendido aos pés dela, e que ainda por cima tinha o descaramento de me encontrar com alguém devia ser um tormento para ela. Era essa a intenção mesmo, ou eu teria mencionado que mais tarde era só no dia seguinte e que o Bernardo, o Mica e namorado da Rayana também iriam...
“Tudo bem. Será rápido. Eu vou no meu carro e tu no teu. Onde nos encontramos?”, o tom era demasiado controlado, e, claramente, não condizia com a linguagem corporal dela.
“Se queres um lugar onde ninguém nos ouça, suponho que só a tua casa ou a minha...mas honestamente, Lua, só convido os amigos para entrarem em minha casa...”
Ela recuou um passo, como se eu lhe tivesse batido. Os olhos tinham passado da fúria ao choque num piscar. Mas ela controlou-se.
“Tudo bem...como queiras. Pode ser na minha mesmo. Estou no antigo apartamento da Marisol.”, fez uma pausa, “Ainda sabes onde é?”
Limitei-me a acenar com a cabeça e entrar no carro. Ela não se moveu.
Abri um pouco o vidro do carro e olhei-a interrogativamente.
“Não vais? Eu disse que tenho pressa...”, o tom era frio propositadamente, mas eu quase me arrependi quando ela olhou para mim com uma expressão de mágoa.
“Claro, vou já.”, falou enquanto se virava em direcção ao carro dela, e o tom era baixo, nada condizente com a Lua.
Por momentos, fiquei a vê-la entrar no carro e a pensar se não estaria a ser demasiado duro. E depois recordei o momento em que vi pela primeira vez aquelas fotos.
“Tudo bem...como queiras. Pode ser na minha mesmo. Estou no antigo apartamento da Marisol.”, fez uma pausa, “Ainda sabes onde é?”
Limitei-me a acenar com a cabeça e entrar no carro. Ela não se moveu.
Abri um pouco o vidro do carro e olhei-a interrogativamente.
“Não vais? Eu disse que tenho pressa...”, o tom era frio propositadamente, mas eu quase me arrependi quando ela olhou para mim com uma expressão de mágoa.
“Claro, vou já.”, falou enquanto se virava em direcção ao carro dela, e o tom era baixo, nada condizente com a Lua.
Por momentos, fiquei a vê-la entrar no carro e a pensar se não estaria a ser demasiado duro. E depois recordei o momento em que vi pela primeira vez aquelas fotos.
“- Arthur...ainda bem que estás em casa!
-Olá Luisa! Não estava á tua espera hoje. Algum problema? Pareces preocupada...
- Na verdade...tenho uma coisa para te contar, mas honestamente não sei como o fazer... A Lua por acaso não está contigo?
-Não...porquê? É alguma coisa relacionada com ela? Ela ficou de aparecer mais tarde, mas se quiseres eu ligo para ela vir agora...
- Não! Não! Ainda bem que ela não está...
- Luisa...estás a deixar-me preocupado...a Lua está com algum problema? Posso ajudar em alguma coisa?
- Ai Arthur...eu não sei como te hei-de contar isto...”
Enquanto via o carro da Lua partir, senti novamente a Luisa passar-me uma pasta para a mão, pedindo-me que a abrisse, porque ela não sabia como explicar. E de lá de dentro saíram as fotos...montes e montes de fotos da Lua e do André...recentes. Conseguia percebê-lo pelo cabelo da Lua, que estava diferente desde que começamos a filmar Rebelde. A Lua e o André a beijarem-se, a Lua e o André abraçados, de mãos dadas...atirei-as para o sofá quando vi imagens deles juntos no que parecia ser uma sala, ela contra a parede, com o ar de prazer que eu tao bem lhe conhecia e ele encostado a ela, beijando-lhe os seios sob a camisola...
-Olá Luisa! Não estava á tua espera hoje. Algum problema? Pareces preocupada...
- Na verdade...tenho uma coisa para te contar, mas honestamente não sei como o fazer... A Lua por acaso não está contigo?
-Não...porquê? É alguma coisa relacionada com ela? Ela ficou de aparecer mais tarde, mas se quiseres eu ligo para ela vir agora...
- Não! Não! Ainda bem que ela não está...
- Luisa...estás a deixar-me preocupado...a Lua está com algum problema? Posso ajudar em alguma coisa?
- Ai Arthur...eu não sei como te hei-de contar isto...”
Enquanto via o carro da Lua partir, senti novamente a Luisa passar-me uma pasta para a mão, pedindo-me que a abrisse, porque ela não sabia como explicar. E de lá de dentro saíram as fotos...montes e montes de fotos da Lua e do André...recentes. Conseguia percebê-lo pelo cabelo da Lua, que estava diferente desde que começamos a filmar Rebelde. A Lua e o André a beijarem-se, a Lua e o André abraçados, de mãos dadas...atirei-as para o sofá quando vi imagens deles juntos no que parecia ser uma sala, ela contra a parede, com o ar de prazer que eu tao bem lhe conhecia e ele encostado a ela, beijando-lhe os seios sob a camisola...
E depois aquele papel, no meio das fotos. Um teste de gravidez positivo em nome de Lua Maria Blanco. A data era de 5 meses antes. Claramente, aquela gravidez tinha tido um fim.
Não, pensei, concentrando-me no presente. Não estava a ser demasiado duro. Estava a dar-lhe exactamente o que ela merecia. No fundo, o que tinha ela sofrido com toda a situação? Sabia que depois de eu sair do Brasil, de alguma forma as fotos tinham chegado á imprensa. Tinha recebido alguns telefonemas a pedirem-me para as comentar. Mas isso não era punição. Fotos de actores na imprensa saem todos os dias...e um escândalo a mais, um escândalo a menos...
Não fazia ideia de como tinha acabado a história, mas apostava que a Lua tinha conseguido virar a situação a favor dela. Como sempre.
Forçando-me a esquecer o passado, arranquei em direcção a casa da Lua.
Não, pensei, concentrando-me no presente. Não estava a ser demasiado duro. Estava a dar-lhe exactamente o que ela merecia. No fundo, o que tinha ela sofrido com toda a situação? Sabia que depois de eu sair do Brasil, de alguma forma as fotos tinham chegado á imprensa. Tinha recebido alguns telefonemas a pedirem-me para as comentar. Mas isso não era punição. Fotos de actores na imprensa saem todos os dias...e um escândalo a mais, um escândalo a menos...
Não fazia ideia de como tinha acabado a história, mas apostava que a Lua tinha conseguido virar a situação a favor dela. Como sempre.
Forçando-me a esquecer o passado, arranquei em direcção a casa da Lua.
(Lua)
Não queria que ele entrasse em minha casa. Mas ele tinha razão...certeza de não sermos ouvidos só em casa mesmo. E eu também não queria ir a casa dele...mesmo que ele não tivesse feito questão de frisar que não me queria lá.
Dei uma pancada no volante, com raiva. Porque é que eu ficava com tanto medo dele? Porque é que ele me fazia sentir tão insegura?
“Porque perdeste a confiança em ti e nos outros há 5 anos atrás, Lua. E perdeste-a porque percebeste finalmente que nem sempre ganhas quando bates de frente, mesmo que a verdade esteja do teu lado. Aprendeste que não podes confiar em ninguém excepto em ti própria, e que mesmo assim não tens garantias de nada!”
Enquanto punha a música mais alta para tentar abafar os meus próprios pensamentos, sentia as lágrimas a rolarem-me pela face e pensava, com uma certa ironia, que pelo menos o regresso do Arthur tinha servido para eu saber que ainda era capaz de chorar.
Não queria que ele entrasse em minha casa. Mas ele tinha razão...certeza de não sermos ouvidos só em casa mesmo. E eu também não queria ir a casa dele...mesmo que ele não tivesse feito questão de frisar que não me queria lá.
Dei uma pancada no volante, com raiva. Porque é que eu ficava com tanto medo dele? Porque é que ele me fazia sentir tão insegura?
“Porque perdeste a confiança em ti e nos outros há 5 anos atrás, Lua. E perdeste-a porque percebeste finalmente que nem sempre ganhas quando bates de frente, mesmo que a verdade esteja do teu lado. Aprendeste que não podes confiar em ninguém excepto em ti própria, e que mesmo assim não tens garantias de nada!”
Enquanto punha a música mais alta para tentar abafar os meus próprios pensamentos, sentia as lágrimas a rolarem-me pela face e pensava, com uma certa ironia, que pelo menos o regresso do Arthur tinha servido para eu saber que ainda era capaz de chorar.
(Arthur)
Vi-a empalidecer e desviar o olhar quando falei. Inclinei a cabeça, ligeiramente curioso com as reacções dela. Aquela Lua frágil e amedrontada ainda me era estranha...e eu ainda me perguntava até que ponto era real.
“Então, Lua...querias tanto falar comigo...ou afinal só me querias trazer para tua casa?”, fui cínico propositadamente...e directo ao ponto também.
Ela pareceu reagir um pouco.
“Não, Arthur. Por vontade minha não passavas da porta, mas infelizmente aprendi que não são só as paredes que têm ouvidos. E prefiro o mal de te ter aqui do que ter a conversa estampada nalguma capa amanhã de manhã!”
Fingi-me de inocente, levantando as mãos e dando um passo atrás, enquanto lhe sorria de forma irónica.
“Era só uma ideia...mas não te preocupes que o que tu ofereces não me interessa...não gosto de material muito usado”, acrescentei as últimas palavras com ar de desprezo.
No fundo, acho que queria provocá-la, fazer saltar cá para fora a raiva que eu tão bem conhecia e que ela tinha estado a deitar por todos os poros durante o dia inteiro. Mas ela limitou-se a agarrar-se mais ao sofá, enquanto empalidecia um pouco mais. Os olhos eram de raiva, mas uma raiva muito mais controlada e amedrontada do que aquela que eu sempre associei á Lua.
“Fala lá, então...o que é que querias?”, disse cruzando os braços com ar de desinteresse, como se não fizesse a mínima ideia do porquê de estarmos ali.
“Sobre hoje de manhã, na primeira cena...”, hesitou, como se não soubesse como continuar, “O que aconteceu não se pode voltar a repetir, Arthur. Aquele beijo foi tudo menos uma actuação. Esqueceste-te do roteiro e resolveste improvisar, foi? Ou já não sabes actuar e resolveste que a melhor forma de o disfarçar era usar-me para dar show e toda a gente ter do que falar durante os proximos dias?”
Vi-a empalidecer e desviar o olhar quando falei. Inclinei a cabeça, ligeiramente curioso com as reacções dela. Aquela Lua frágil e amedrontada ainda me era estranha...e eu ainda me perguntava até que ponto era real.
“Então, Lua...querias tanto falar comigo...ou afinal só me querias trazer para tua casa?”, fui cínico propositadamente...e directo ao ponto também.
Ela pareceu reagir um pouco.
“Não, Arthur. Por vontade minha não passavas da porta, mas infelizmente aprendi que não são só as paredes que têm ouvidos. E prefiro o mal de te ter aqui do que ter a conversa estampada nalguma capa amanhã de manhã!”
Fingi-me de inocente, levantando as mãos e dando um passo atrás, enquanto lhe sorria de forma irónica.
“Era só uma ideia...mas não te preocupes que o que tu ofereces não me interessa...não gosto de material muito usado”, acrescentei as últimas palavras com ar de desprezo.
No fundo, acho que queria provocá-la, fazer saltar cá para fora a raiva que eu tão bem conhecia e que ela tinha estado a deitar por todos os poros durante o dia inteiro. Mas ela limitou-se a agarrar-se mais ao sofá, enquanto empalidecia um pouco mais. Os olhos eram de raiva, mas uma raiva muito mais controlada e amedrontada do que aquela que eu sempre associei á Lua.
“Fala lá, então...o que é que querias?”, disse cruzando os braços com ar de desinteresse, como se não fizesse a mínima ideia do porquê de estarmos ali.
“Sobre hoje de manhã, na primeira cena...”, hesitou, como se não soubesse como continuar, “O que aconteceu não se pode voltar a repetir, Arthur. Aquele beijo foi tudo menos uma actuação. Esqueceste-te do roteiro e resolveste improvisar, foi? Ou já não sabes actuar e resolveste que a melhor forma de o disfarçar era usar-me para dar show e toda a gente ter do que falar durante os proximos dias?”
Conseguia ver a raiva a aflorar á medida que ela falava. Interiormente, senti-me muito melhor. Lutar com uma Lua chorosa e receosa era muito mais dificil do que enfrentá-la no seu estado natural.
Cruzei os braços, olhando-a de cima a baixo.
“Nada disso...só pensei que era esse o papel que querias desempenhar...a mulher fatal que faz os homens perderem a cabeça.”, inclinei-me sobre ela, “Ou não é isso que estás habituada a fazer? Não foi assim que te tornaste famosa?”
“Parece que sim. E tudo graças a ti. Não estás orgulhoso da tua proeza?”, o tom era controlado, mas eu sentia-a tremer.
Cheguei-me para trás.
“De todo. Digamos que sou um pouco antiquado no que respeita a relacionamentos... gosto que a minha mulher seja só minha, e não que ande enrolada com sabe-se lá quantos nas minhas costas...”, tentei dizê-lo de forma desprendida, como se pensar no assunto já não me provocasse qualquer dor.
“Claro. Claro. E por isso fizeste questao de mandar publicar as fotos antes de fugires? Foi porquê Arthur? Explica-me, porque eu nunca entendi!”, agora era ela quem soava deliberadamente fria, e eu quem começava a ficar confuso.
Cruzei os braços, olhando-a de cima a baixo.
“Nada disso...só pensei que era esse o papel que querias desempenhar...a mulher fatal que faz os homens perderem a cabeça.”, inclinei-me sobre ela, “Ou não é isso que estás habituada a fazer? Não foi assim que te tornaste famosa?”
“Parece que sim. E tudo graças a ti. Não estás orgulhoso da tua proeza?”, o tom era controlado, mas eu sentia-a tremer.
Cheguei-me para trás.
“De todo. Digamos que sou um pouco antiquado no que respeita a relacionamentos... gosto que a minha mulher seja só minha, e não que ande enrolada com sabe-se lá quantos nas minhas costas...”, tentei dizê-lo de forma desprendida, como se pensar no assunto já não me provocasse qualquer dor.
“Claro. Claro. E por isso fizeste questao de mandar publicar as fotos antes de fugires? Foi porquê Arthur? Explica-me, porque eu nunca entendi!”, agora era ela quem soava deliberadamente fria, e eu quem começava a ficar confuso.
“Passei 5 anos a tentar entender, e nunca consegui!... Provocaste o escândalo e fugiste, para não ter de lidar com ele... até aí eu cheguei. Afinal..lidar com ele era a parte dificil, eu que o diga... Mas no fundo, acabaste por ser o traído na história. Foste o...qual é a expressão mesmo?... ah! Claro! Foste corno publicamente. E ainda por cima com uma mentira! De rir, não é? Eu fartei-me de rir, sabias?”, ela disparava as palavras, sem me dar tempo para interromper, “Fartei-me de rir quando vi as fotos nas capas das revistas...e então quando apareceu aquela ridicula falsificação de teste de gravidez...quase chorei de tanto rir! E quando começaram a aparecer todo o tipo de supostas enfermeiras e médicas a confirmar que tinham estado lá quando eu fiz o aborto! Aí quase fiquei doente de tanto rir!”
Toda ela tremia, mas era como se, agora que tivesse começado a falar, simplesmente não conseguisse parar.
“Adorei toda história, Arthur, a sério! Acho que nem tu imaginavas que resultasse tão bem! Ou imaginaste? Ficaste lá no teu cantinho, em Portugal, a apreciar como a Lua Blanco era capa de todos os jornais e revistas, cada dia com uma pessoa diferente a contar algum tipo de história mórbida a meu respeito? Deves ter adorado...ou então talvez até tenhas pago a alguns deles para o fazerem! Afinal, durante mais de um ano, ter uma história real ou inventada sobre mim era a forma mais fácil de fazer dinheiro...e tu sempre tiveste boa imaginação! Deves ter adorado ficar lá a assistir enquanto eu era humilhada publicamente todos os dias! E quando saiu a noticia de que a anteriomente requisitada Lua Blanco estava agora sem ninguém que aceitasse dar-lhe trabalho? Aposto que aí até bateste palmas! ”, fechou os olhos e cerrou os lábios e as mãos com força, como que a recuperar o fôlego e o controlo.
Toda ela tremia, mas era como se, agora que tivesse começado a falar, simplesmente não conseguisse parar.
“Adorei toda história, Arthur, a sério! Acho que nem tu imaginavas que resultasse tão bem! Ou imaginaste? Ficaste lá no teu cantinho, em Portugal, a apreciar como a Lua Blanco era capa de todos os jornais e revistas, cada dia com uma pessoa diferente a contar algum tipo de história mórbida a meu respeito? Deves ter adorado...ou então talvez até tenhas pago a alguns deles para o fazerem! Afinal, durante mais de um ano, ter uma história real ou inventada sobre mim era a forma mais fácil de fazer dinheiro...e tu sempre tiveste boa imaginação! Deves ter adorado ficar lá a assistir enquanto eu era humilhada publicamente todos os dias! E quando saiu a noticia de que a anteriomente requisitada Lua Blanco estava agora sem ninguém que aceitasse dar-lhe trabalho? Aposto que aí até bateste palmas! ”, fechou os olhos e cerrou os lábios e as mãos com força, como que a recuperar o fôlego e o controlo.
Eu estava confuso demais para dizer o que quer que fosse. Não entendia nada do que ela estava a dizer, e não fazia ideia do que pensar ou fazer.
Ela recuperou-se antes de mim.
“Vai-te embora, Arthur. Tens razão. Não precisávamos ter esta conversa. O que aconteceu hoje de manhã não vai voltar a acontecer...porque eu não tenciono voltar a esquecer-me do que passei por tua causa.”, os olhos dela estavam vermelhos mas sem lágrimas, a pele completamente pálida, como eu nunca a tinha visto.
“Lua...”
Ela dirigiu-se á porta, abrindo-a.
“Sai, Arthur. Quero-te fora da minha casa. Agora.”
Ela recuperou-se antes de mim.
“Vai-te embora, Arthur. Tens razão. Não precisávamos ter esta conversa. O que aconteceu hoje de manhã não vai voltar a acontecer...porque eu não tenciono voltar a esquecer-me do que passei por tua causa.”, os olhos dela estavam vermelhos mas sem lágrimas, a pele completamente pálida, como eu nunca a tinha visto.
“Lua...”
Ela dirigiu-se á porta, abrindo-a.
“Sai, Arthur. Quero-te fora da minha casa. Agora.”
(Lua)
Agora que tinha pela primeira vez descarregado tudo em cima dele, só queria ficar sozinha. A tremer agarrada á porta, sentia os olhos a arder, sem conseguir chorar.
“Sai, Arthur.”
Vi-lhe a indecisão no rosto. Sentia o meu controlo por um fio...um fio muito fino e que esticava mais a cada segundo que ele demorava a sair.
“Lua...”
Ouvir a voz dele fez-me perder a pequena réstia de controlo que eu ainda tinha.
“SAI! SAI DA MINHA CASA!”, descontrolada, aproximei-me dele e empurrei-o em direcção á porta, cega pelas lágrimas que finalmente estavam a cair.
Ele agarrou-me nos braços, controlando-me facilmente. E eu fiquei ali, a tremer e a soluçar nos braços dele.
“Sai, Arthur, por favor vai-te embora. Por favor!”, sabia que a minha voz soava a súplica, mas eu já não me importava com nada. Só queria que ele se fosse embora, que me deixasse sozinha...ou que fizesse o tempo voltar atrás...
“Eu saio, Lua! Mas temos muita coisa para esclarecer. Muita mesmo.”
Contra tudo o que eu pudesse esperar, olhou-me nos olhos e fez-me um carinho na cara, como que a asseguar-se que eu ficaria bem, e saiu, fechando a porta com cuidado atrás dele.
Eu deixei-me cair no chão no sitio onde estava, a chorar como não fazia há anos. Mais precisamente, como não fazia há 5 anos, quando percebi que eu e o Arthur nunca voltaríamos a ser os mesmos.
Agora que tinha pela primeira vez descarregado tudo em cima dele, só queria ficar sozinha. A tremer agarrada á porta, sentia os olhos a arder, sem conseguir chorar.
“Sai, Arthur.”
Vi-lhe a indecisão no rosto. Sentia o meu controlo por um fio...um fio muito fino e que esticava mais a cada segundo que ele demorava a sair.
“Lua...”
Ouvir a voz dele fez-me perder a pequena réstia de controlo que eu ainda tinha.
“SAI! SAI DA MINHA CASA!”, descontrolada, aproximei-me dele e empurrei-o em direcção á porta, cega pelas lágrimas que finalmente estavam a cair.
Ele agarrou-me nos braços, controlando-me facilmente. E eu fiquei ali, a tremer e a soluçar nos braços dele.
“Sai, Arthur, por favor vai-te embora. Por favor!”, sabia que a minha voz soava a súplica, mas eu já não me importava com nada. Só queria que ele se fosse embora, que me deixasse sozinha...ou que fizesse o tempo voltar atrás...
“Eu saio, Lua! Mas temos muita coisa para esclarecer. Muita mesmo.”
Contra tudo o que eu pudesse esperar, olhou-me nos olhos e fez-me um carinho na cara, como que a asseguar-se que eu ficaria bem, e saiu, fechando a porta com cuidado atrás dele.
Eu deixei-me cair no chão no sitio onde estava, a chorar como não fazia há anos. Mais precisamente, como não fazia há 5 anos, quando percebi que eu e o Arthur nunca voltaríamos a ser os mesmos.
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