Teste!!!!
(Arthur)
Percebi que me esperavam...e que por muito que eu tentasse prolongar a reunião eles não iriam embora sem mim. Resignei-me e dei por terminada a discussão.
Sorri ao despedir-me do técnico e fiquei á espera que eles se aproximassem.
Tentei avaliar o motivo daquela vontade súbita do Ivan de conversar comigo pelo humor da Lua. Não foi dificil perceber que, ou ela não sabia, ou não gostava, ou não estava nem aí para me dar uma pista. Suspirei.
“As tréguas terminaram”, pensei para mim prório.
“Que tal correu, Arthur? Algum problema com o visual do Luis?”
“Nenhum. Pelo que entendi não vou precisar de grandes mudanças...o que me agrada bastante.”, fiz um esforço para sorrir e parecer descontraído, “Por momentos tive medo que estivessem a planear pintar-me o cabelo de vermelho e fazer-me uma crista ou algo assim!”
Ele riu-se. A Lua limitou-se a olhar para mim com uma sobrancelha erguida e aquele típico ar dela de desprezo e de “não teve piada”.
Encolhi os ombros enquanto pensava que, pelo menos, havia coisas na Lua que não tinham mudado. Era consolador saber.
Percebi que me esperavam...e que por muito que eu tentasse prolongar a reunião eles não iriam embora sem mim. Resignei-me e dei por terminada a discussão.
Sorri ao despedir-me do técnico e fiquei á espera que eles se aproximassem.
Tentei avaliar o motivo daquela vontade súbita do Ivan de conversar comigo pelo humor da Lua. Não foi dificil perceber que, ou ela não sabia, ou não gostava, ou não estava nem aí para me dar uma pista. Suspirei.
“As tréguas terminaram”, pensei para mim prório.
“Que tal correu, Arthur? Algum problema com o visual do Luis?”
“Nenhum. Pelo que entendi não vou precisar de grandes mudanças...o que me agrada bastante.”, fiz um esforço para sorrir e parecer descontraído, “Por momentos tive medo que estivessem a planear pintar-me o cabelo de vermelho e fazer-me uma crista ou algo assim!”
Ele riu-se. A Lua limitou-se a olhar para mim com uma sobrancelha erguida e aquele típico ar dela de desprezo e de “não teve piada”.
Encolhi os ombros enquanto pensava que, pelo menos, havia coisas na Lua que não tinham mudado. Era consolador saber.
Mas de momento estava mais preocupado com o motivo daquela “reunião” particular. Ignorei-a e centrei-me no Ivan.
“E então...”, perguntei, “Qual o problema desta vez?”
Ele hesitou antes de responder, olhando para mim e para a Lua alternadamente. Finalmente, pareceu ganhar coragem, “É o seguinte...vocês eram óptimos em Rebelde. Tinham uma química dificílima de encontrar em casais de ficção...”
Parou, como se não soubesse como continuar. Eu olhei para a Lua, que parecia simplesmente não estar ali, mas sim com o pensamento a léguas de distância...
Voltei a olhar para o Ivan, interrogativo.
Ele hesitou mais um pouco antes de continuar.
“Mas o certo é que muita coisa aconteceu desde aí... e eu preciso de saber se, por um lado, as vossas questões pessoais não vão interferir no vosso desempenho como actores e por outro....” nova pausa; sustive a respiração, sentindo que não ia gostar do outro lado... “E por outro... preciso de saber se a química que existia entre vocês ainda lá está e se passa para as cameras. Preciso de fazer um teste com ambos.”
De repente...apercebi-me que se ouviam as moscas na sala. E o único pensamento que me passou pela cabeça foi “E agora, Arthur?!”
“E então...”, perguntei, “Qual o problema desta vez?”
Ele hesitou antes de responder, olhando para mim e para a Lua alternadamente. Finalmente, pareceu ganhar coragem, “É o seguinte...vocês eram óptimos em Rebelde. Tinham uma química dificílima de encontrar em casais de ficção...”
Parou, como se não soubesse como continuar. Eu olhei para a Lua, que parecia simplesmente não estar ali, mas sim com o pensamento a léguas de distância...
Voltei a olhar para o Ivan, interrogativo.
Ele hesitou mais um pouco antes de continuar.
“Mas o certo é que muita coisa aconteceu desde aí... e eu preciso de saber se, por um lado, as vossas questões pessoais não vão interferir no vosso desempenho como actores e por outro....” nova pausa; sustive a respiração, sentindo que não ia gostar do outro lado... “E por outro... preciso de saber se a química que existia entre vocês ainda lá está e se passa para as cameras. Preciso de fazer um teste com ambos.”
De repente...apercebi-me que se ouviam as moscas na sala. E o único pensamento que me passou pela cabeça foi “E agora, Arthur?!”
(Lua)
Ignorei o salto que o meu coração deu quando o Ivan falou em “teste”. No fundo sabia que a hora de contracenar com ele ia chegar...porque não hoje?
“Porque estás exausta e emocionalmente arrasada, Lua...por isso”, pensei.
Mas no fundo, de que serviria argumentar? Não ia dar esse gosto a nenhum dos dois.
“Claro, Ivan. Estamos aqui para trabalhar, certo?”, a questão foi dirigida ao Arthur, que parecia bastante mais abalado do que eu e se limitou a balbuciar apenas um “Claro, claro” enquanto saíamos da sala e seguíamos o Ivan até ao cenário.
Ignorei o salto que o meu coração deu quando o Ivan falou em “teste”. No fundo sabia que a hora de contracenar com ele ia chegar...porque não hoje?
“Porque estás exausta e emocionalmente arrasada, Lua...por isso”, pensei.
Mas no fundo, de que serviria argumentar? Não ia dar esse gosto a nenhum dos dois.
“Claro, Ivan. Estamos aqui para trabalhar, certo?”, a questão foi dirigida ao Arthur, que parecia bastante mais abalado do que eu e se limitou a balbuciar apenas um “Claro, claro” enquanto saíamos da sala e seguíamos o Ivan até ao cenário.
(Arthur)
Não estava preparado para isto. Com a confusão que está a minha cabeça, não vou conseguir fazê-lo. Contracenar com a Lua novamente...tenho até medo de pensar na cena que o Ivan vai escolher, mas tendo em conta o discurso, não vai ser uma cena emocionalmente fácil para nenhum dos dois.
Olhei de relance para a Lua, que parecia estranhamente calma. Esperei vê-la nervosa, agitada, talvez preocupada ou furiosa...mas calma não era uma hipótese.
Abanei a cabeça para clarear as ideias...desde que tinha voltado, as reacções da Lua nunca eram o que eu esperava. E isso começava a preocupar-me seriamente.
Não estava preparado para isto. Com a confusão que está a minha cabeça, não vou conseguir fazê-lo. Contracenar com a Lua novamente...tenho até medo de pensar na cena que o Ivan vai escolher, mas tendo em conta o discurso, não vai ser uma cena emocionalmente fácil para nenhum dos dois.
Olhei de relance para a Lua, que parecia estranhamente calma. Esperei vê-la nervosa, agitada, talvez preocupada ou furiosa...mas calma não era uma hipótese.
Abanei a cabeça para clarear as ideias...desde que tinha voltado, as reacções da Lua nunca eram o que eu esperava. E isso começava a preocupar-me seriamente.
(Lua)
“Muito bem”, disse o Ivan com o mesmo tom que me lembrava de quando dirigia Rebelde, “A cena é o seguinte: Raquel voltou para o Brasil fugindo do ex-marido, um tipo frio e que ela considera incapaz de amar, mas por quem no fundo sabe que ainda é apaixonada. Ele, no entanto, está certo do que quer...acha que o divorcio foi um erro e quer tê-la de volta. Ela é dele, e não admite sequer que ela duvide disso. Vem pedir satisfações pelo distanciamento e silêncio dela, recusando-se a acreditar que o fim é definitivo. Entenderam?”
Troquei um olhar com o Arthur, e olhamos os dois para o Ivan, acenando em sinal de concordância.
“Ok.”, fechei os olhos para me concentrar enquanto esperava a ordem do Ivan, “Quando quiserem.”
Abri os olhos e esperei a deixa do Arthur.
Luis: Devolveste cada uma de minhas cartas sem abrir. Porquê?
Raquel: Por que estás aqui?
Luis: Não respondeste á minha pergunta.
Ele aproximou-se de mim, e eu recuei um passo.
Raquel: Não tenho porque responder. Mas tu tens. Porque estás aqui?
Ele aproximou-se mais, e eu recuei até á parede. O estremecimento quando ele se aproximou não foi somente da Raquel. Não completamente.
Luis: Porque tu estás aqui.
Não tinha mais por onde recuar, e sabia perfeitamente o que se seguia. Virei a cara numa tentativa de evitar o beijo, e o medo que estava nos meus olhos quando ele me fez olhá-lo, não era de todo fingido.
Raquel: Vai-te embora, Luis. Acabou. Não te devo mais nada, não temos mais nada a falar.
A minha voz era um quase um murmúrio, presa no olhar dele.
Luis: Fui idiota o suficiente para te deixar escapar uma vez. Prometo que não volta a acontecer, Raquel.
“Muito bem”, disse o Ivan com o mesmo tom que me lembrava de quando dirigia Rebelde, “A cena é o seguinte: Raquel voltou para o Brasil fugindo do ex-marido, um tipo frio e que ela considera incapaz de amar, mas por quem no fundo sabe que ainda é apaixonada. Ele, no entanto, está certo do que quer...acha que o divorcio foi um erro e quer tê-la de volta. Ela é dele, e não admite sequer que ela duvide disso. Vem pedir satisfações pelo distanciamento e silêncio dela, recusando-se a acreditar que o fim é definitivo. Entenderam?”
Troquei um olhar com o Arthur, e olhamos os dois para o Ivan, acenando em sinal de concordância.
“Ok.”, fechei os olhos para me concentrar enquanto esperava a ordem do Ivan, “Quando quiserem.”
Abri os olhos e esperei a deixa do Arthur.
Luis: Devolveste cada uma de minhas cartas sem abrir. Porquê?
Raquel: Por que estás aqui?
Luis: Não respondeste á minha pergunta.
Ele aproximou-se de mim, e eu recuei um passo.
Raquel: Não tenho porque responder. Mas tu tens. Porque estás aqui?
Ele aproximou-se mais, e eu recuei até á parede. O estremecimento quando ele se aproximou não foi somente da Raquel. Não completamente.
Luis: Porque tu estás aqui.
Não tinha mais por onde recuar, e sabia perfeitamente o que se seguia. Virei a cara numa tentativa de evitar o beijo, e o medo que estava nos meus olhos quando ele me fez olhá-lo, não era de todo fingido.
Raquel: Vai-te embora, Luis. Acabou. Não te devo mais nada, não temos mais nada a falar.
A minha voz era um quase um murmúrio, presa no olhar dele.
Luis: Fui idiota o suficiente para te deixar escapar uma vez. Prometo que não volta a acontecer, Raquel.
O tom era frio, como a personagem do Arthur. E quando o olhei nos olhos, pensei por momentos estar perante o olhar que ele me tinha lançado na sala de reuniões.
Ele demorou o seu tempo a aproximar a boca dele da minha. Sentia a respiração dele bem junto aos meus lábios, e tremi numa mistura de medo e antecipação. Quando so lábios se tocaram, tentei manter-me impassível. Não sei se lutava mais pela minha dramática personagem, Raquel, se por mim mesma, Lua Blanco.
Mas o roteiro assim o exigia e eu rendi-me ao beijo. Sem afastar as mãos da parede onde estava colada deixei o corpo amolecer e colar-se ao dele. Sentia o calor da mão dele que ainda segurava a minha face e a carícia dos lábios dele nos meus, o leve mordiscar dos meus lábios...a pressão da mão dele na minha cintura, descendo um pouco mais...
“Ok! Corta!”, a voz do Ivan trouxe-me de volta a realidade, e eu agradeci-lhe mentalmente por isso.
O Arthur afastou-se de mim, mas eu deixei-me estar encostada a parede. Na verdade, não sei se me aguentaria sem esse apoio.
Ele demorou o seu tempo a aproximar a boca dele da minha. Sentia a respiração dele bem junto aos meus lábios, e tremi numa mistura de medo e antecipação. Quando so lábios se tocaram, tentei manter-me impassível. Não sei se lutava mais pela minha dramática personagem, Raquel, se por mim mesma, Lua Blanco.
Mas o roteiro assim o exigia e eu rendi-me ao beijo. Sem afastar as mãos da parede onde estava colada deixei o corpo amolecer e colar-se ao dele. Sentia o calor da mão dele que ainda segurava a minha face e a carícia dos lábios dele nos meus, o leve mordiscar dos meus lábios...a pressão da mão dele na minha cintura, descendo um pouco mais...
“Ok! Corta!”, a voz do Ivan trouxe-me de volta a realidade, e eu agradeci-lhe mentalmente por isso.
O Arthur afastou-se de mim, mas eu deixei-me estar encostada a parede. Na verdade, não sei se me aguentaria sem esse apoio.
(Arthur)
Ao chegar a casa no final do dia, horas depois do “teste” que o Ivan me tinha obrigado a fazer com a Lua, ainda não me sentia totalmente recomposto.
Para ser sincero, estar tão perto dela de novo tinha-me abalado quase tanto como no dia anterior...e desta vez eu sabia que era apenas actuação!
Sorri para mim mesmo, com uma ponta de orgulho que não consegui evitar...a Lua era de facto uma excelente actriz. Tinha estado muito calma o tempo todo, e a representação dela tinha sido simplesmente...perfeita. Por breves instantes, enquanto ela me fixava e estremecia ao meu toque, até eu tinha acreditado que era real!...
Ri-me de mim próprio enquanto abanava a cabeça e me dirigia para a cozinha em busca de algo para comer...estava a ficar mesmo louco, confundindo ficção com realidade!
Mal a cena tinha acabado ela tinha-se voltado para o Ivan, ouvindo com atenção a opinião e críticas dele...enquanto eu ficava ali meio zonzo, esforçando-me por voltar á realidade e controlar a vontade de lhe tocar de novo!
Quando me deitei nessa noite estava exausto. Tinha um turbilhão de pensamentos a girar na cabeça...a maioria deles envolvendo a Lua... e nenhum que eu conseguisse parar o tempo suficiente para compreender ou analisar. Pouco antes de adormecer, o pensamento voltou á conversa com o Bernardo e segundos antes de escorregar no sono, a dúvida que me ocorreu foi o porquê de alguém com tanto sucesso e que amava tanto a representação se ter mantido afastada por 5 anos...
Quando acordei na manhã seguinte, ainda cansado e irritado depois de uma noite de sonhos confusos dos quais a única imagem que tinha ficado era a da Lua, não conseguia recordar com clareza ideia nenhuma da noite anterior...
Ao chegar a casa no final do dia, horas depois do “teste” que o Ivan me tinha obrigado a fazer com a Lua, ainda não me sentia totalmente recomposto.
Para ser sincero, estar tão perto dela de novo tinha-me abalado quase tanto como no dia anterior...e desta vez eu sabia que era apenas actuação!
Sorri para mim mesmo, com uma ponta de orgulho que não consegui evitar...a Lua era de facto uma excelente actriz. Tinha estado muito calma o tempo todo, e a representação dela tinha sido simplesmente...perfeita. Por breves instantes, enquanto ela me fixava e estremecia ao meu toque, até eu tinha acreditado que era real!...
Ri-me de mim próprio enquanto abanava a cabeça e me dirigia para a cozinha em busca de algo para comer...estava a ficar mesmo louco, confundindo ficção com realidade!
Mal a cena tinha acabado ela tinha-se voltado para o Ivan, ouvindo com atenção a opinião e críticas dele...enquanto eu ficava ali meio zonzo, esforçando-me por voltar á realidade e controlar a vontade de lhe tocar de novo!
Quando me deitei nessa noite estava exausto. Tinha um turbilhão de pensamentos a girar na cabeça...a maioria deles envolvendo a Lua... e nenhum que eu conseguisse parar o tempo suficiente para compreender ou analisar. Pouco antes de adormecer, o pensamento voltou á conversa com o Bernardo e segundos antes de escorregar no sono, a dúvida que me ocorreu foi o porquê de alguém com tanto sucesso e que amava tanto a representação se ter mantido afastada por 5 anos...
Quando acordei na manhã seguinte, ainda cansado e irritado depois de uma noite de sonhos confusos dos quais a única imagem que tinha ficado era a da Lua, não conseguia recordar com clareza ideia nenhuma da noite anterior...
(Lua)
O dia-a-dia no estúdio ganhou a sua rotina. E depois da fase de preparação e reuniões, tive alguns dias de folga, uma vez que a minha personagem não apareceria nos primeiros capítulos. Pouco vi o Arthur durante esse tempo, e sempre que nos víamos, ambos estávamos ocupados e no meio de outras pessoas, o que me deu tempo para me restabelecer e pôr algumas ideias em ordem.
As atitudes dele desde que tinha voltado confundiam-me, e eu já não conseguia ter certeza dos objectivos dele ao voltar. Tinha bom-senso suficiente para descartar o pensamento de que o retorno dele tinha sido totalmente inocente...sabia que tinha algo a ver comigo, sem a mínima dúvida. Era demasiada coincidência, mesmo se me desse ao luxo de duvidar do que o Ivan tinha dito sobre a condição que ele pôs para aceitar fazer o Luis. Mas o que é que ele pretendia de mim exactamente? Vingar-se da minha “traição”?! Impossível...já o tinha feito anos atrás, e ao fim de 5 anos era de esperar que eu já tivesse cumprido a minha pena completa. Pedir desculpa?!... Pouco provável...se assim fosse ter-me-ia procurado para conversar, e esse objectivo em particular não parecia encaixar com o Arthur que me tinha recebido naquele primeiro dia da reunião de elenco... Apesar de a tentar abafar, o meu coração fez questão de pôr uma outra hipótese, que me forcei a analisar tão friamente como as outras apesar de me causar um estremecimento interior...será que ele pretendia...reconquistar-me?... Abanei a cabeça... Impossível! Improvável. Dificilmente... Sacudi a cabeça e forcei-me a parar esse rumo de pensamento em particular.
O dia-a-dia no estúdio ganhou a sua rotina. E depois da fase de preparação e reuniões, tive alguns dias de folga, uma vez que a minha personagem não apareceria nos primeiros capítulos. Pouco vi o Arthur durante esse tempo, e sempre que nos víamos, ambos estávamos ocupados e no meio de outras pessoas, o que me deu tempo para me restabelecer e pôr algumas ideias em ordem.
As atitudes dele desde que tinha voltado confundiam-me, e eu já não conseguia ter certeza dos objectivos dele ao voltar. Tinha bom-senso suficiente para descartar o pensamento de que o retorno dele tinha sido totalmente inocente...sabia que tinha algo a ver comigo, sem a mínima dúvida. Era demasiada coincidência, mesmo se me desse ao luxo de duvidar do que o Ivan tinha dito sobre a condição que ele pôs para aceitar fazer o Luis. Mas o que é que ele pretendia de mim exactamente? Vingar-se da minha “traição”?! Impossível...já o tinha feito anos atrás, e ao fim de 5 anos era de esperar que eu já tivesse cumprido a minha pena completa. Pedir desculpa?!... Pouco provável...se assim fosse ter-me-ia procurado para conversar, e esse objectivo em particular não parecia encaixar com o Arthur que me tinha recebido naquele primeiro dia da reunião de elenco... Apesar de a tentar abafar, o meu coração fez questão de pôr uma outra hipótese, que me forcei a analisar tão friamente como as outras apesar de me causar um estremecimento interior...será que ele pretendia...reconquistar-me?... Abanei a cabeça... Impossível! Improvável. Dificilmente... Sacudi a cabeça e forcei-me a parar esse rumo de pensamento em particular.
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