
Conversar!!!!
(Lua Blanco)
Quase nem dei conta que a reunião tinha acabado. Só quando a Soph chegou ao pé de mim e me tocou no braço é que eu “acordei” para a realidade.
“Não sabias que ele estava de volta, pois não?” – a cara dela demonstrava preocupação e um pouco de pena por mim.
Honestamente, odeio que tenham pena de mim. Não sou nenhuma coitadinha, e apesar de esta situação em particular ser um espinho cravado na minha vida, eu vou dar a volta por cima.
Mas não podia descarregar na Sophia a confusão que ia na minha cabeça, por isso limitei-me a acenar com a cabeça e encolher um pouco os ombros.
“Não, não sabia. Mas eu supero. Já passaram 5 anos.”
Percebi que havia alguma coisa que ela estava com medo de dizer e o meu olhar deve ter sido interrogação suficiente, porque ela respondeu pondo-me a mão no braço a jeito de conforto.
“Lua...mal se saiba que o Arthur voltou e vocês vão contracenar juntos de novo, serão capa de todas as revistas. Com passado e presente lá estampado!”
Estremeci. Ocupada demais com os sentimentos e memórias que a presença dele me despertava, tinha-me esquecido desse pormenor. Odeio repórteres que se metem na minha vida pessoal. E, para ser sincera, quase todos se metem.
Respirei fundo. “Como eu disse, Soph, está tudo bem. Eu supero.”
Percebi que não a enganava nem um bocadinho, e o pensamento de que estava a interpretar mal o meu papel cruzou-me a cabeça e fez-me sorrir.
Vi a Sophia olhar para o lado e segui inst
(Arthur Aguiar)
“Podemos falar agora um pouco os três?”, a voz do Ivan não era muito segura, mas foi o suficientemente incisiva para passar a mensagem a Sophia.
“Claro”, disse a Sophia olhando de relance para a Lua, “Eu ia já embora mesmo. Lua, logo então combinamos melhor, ok?”.
A Lua acenou-lhe distraidamente e ela saiu da sala apressada. Apesar da aparente calma da Lua, eu conseguia perceber que ela estava prestes a saltar. O olhar dela passou de mim para o Ivan, centrando-se nele como se eu não estivesse ali.
“Algum problema, Ivan? Algum motivo para esta reunião particular?”
Ri-me por dentro. Como se ela não soubesse o motivo...
O Ivan apoiou-se no braço de uma cadeira e suspirou, olhando de um para o outro.
“Conheço-vos há anos. Admiro o vosso trabalho: sei que são os dois optimos actores e muito profissionais. Para além disso, a nível pessoal sempre guardei boas impressões de ambos e nunca tive problemas com nenhum de vocês. Gostaria que as coisas continuassem assim. A nível pessoal e profissional” frisou a última frase, olhando de um para o outro, “Algum problema?”
Percebia-se a tensão no ar. Eu limitei-me a olhar para a Lua com ar de interrogação. Ela não me decepcionou. Encarou-me por um segundo e depois correu o olhar dos meus pés aos meus olhos, como que a avaliar-me. Não pude evitar estremecer por dentro, mas mantive uma expressão apenas interrogativa...na verdade, estava a divertir-me um pouco com a situação.
Ela virou-se para o Ivan e abriu um sorriso do tamanho do mundo.
“Nenhum. Já contracenei com animais actores sem dificuldade, acho que os humanos não devem ser um problema...mas se surgir algum problema com este em particular eu aviso-te!”
Tive de me controlar para não rir. Sinceramente, não sabia o que era mais engraçado, se a tentativa de insulto da Lua, se a cara de desconcerto do Ivan. Resolvi intervir, antes que ele decidisse que controlar-nos ia dar demasiado trabalho.
“Não te preocupes, Ivan. Eu e a Lua tivemos as nossas diferenças a nível pessoal, mas isso já foi há anos. Além disso, como disseste, somos os dois muito profissionais.” Não resisti a virar-me para ela, encarando-a de frente com um sorriso “Certo, Lua?”
(Lua Blanco)
Forcei-me a manter o sorriso, quando o que eu mais queria era bater naquela cara sorridente.
“Certo”, respondi encarando-o também.
Apetecia-me desfazê-lo. E, para me deixar ainda mais furiosa comigo própria, nem sequer tinha tido a coragem de dizer o nome dele. A verdade é que tinha medo que a voz me tremesse ao fazê-lo.
O Ivan não parecia muito seguro, mas ao olhar-nos deve ter decidido que aquela era uma batalha que ele não queria comprar. E que se não quisesse arriscar-se a ser apanhado no fogo cruzado, era melhor ir-se embora o mais rápido possível.
“Bem...então fica assente o que disse na reunião. Amanhã quero-vos aqui de manhã cedo aos dois para tirarem medidas para o guarda-roupa.” virou-se para mim e frisou “De preferência a horas, Lua. Não com meia hora de atraso, ok?”
Limitei-me a acenar-lhe, ainda com o olhar fixo no Arthur. Não tínhamos deixado de nos encarar. Estávamos os dois prestes a rebentar e apenas esperávamos que o Ivan saísse para começar a batalha.
Ele percebeu e, ainda com um ar meio inseguro, saiu da sala.
Estávamos finalmente frente a frente e sozinhos pela primeira vez passados 5 anos.
Forcei-me a manter o sorriso, quando o que eu mais queria era bater naquela cara sorridente.
“Certo”, respondi encarando-o também.
Apetecia-me desfazê-lo. E, para me deixar ainda mais furiosa comigo própria, nem sequer tinha tido a coragem de dizer o nome dele. A verdade é que tinha medo que a voz me tremesse ao fazê-lo.
O Ivan não parecia muito seguro, mas ao olhar-nos deve ter decidido que aquela era uma batalha que ele não queria comprar. E que se não quisesse arriscar-se a ser apanhado no fogo cruzado, era melhor ir-se embora o mais rápido possível.
“Bem...então fica assente o que disse na reunião. Amanhã quero-vos aqui de manhã cedo aos dois para tirarem medidas para o guarda-roupa.” virou-se para mim e frisou “De preferência a horas, Lua. Não com meia hora de atraso, ok?”
Limitei-me a acenar-lhe, ainda com o olhar fixo no Arthur. Não tínhamos deixado de nos encarar. Estávamos os dois prestes a rebentar e apenas esperávamos que o Ivan saísse para começar a batalha.
Ele percebeu e, ainda com um ar meio inseguro, saiu da sala.
Estávamos finalmente frente a frente e sozinhos pela primeira vez passados 5 anos.
(Arthur)
Quando o Ivan saiu, a sala ficou em silêncio. Só eu e a Lua, finalmente sozinhos passado tanto tempo.
Estudei o rosto dela com atenção, não sei se procurando as diferenças que os anos tinham produzido ou as pequenas coisas pelas quais eu me tinha apaixonado.
Ela estava igual. A mesma expressão de desafio. A mesma...transparência. Tive de me controlar para não me deixar levar novamente...tive de fazer um esforço consiciente para me lembrar que se havia coisa que a Lua não era, era transparente. Era falsa, calculista. Eu sabia por experiência.
Continuei a olha-la, em parte porque não queria ser o primeiro a desviar o olhar, em parte porque não conseguia deixar de a olhar... Aqueles olhos...os olhos nos quais eu me tinha perdido tantas vezes quando fazíamos amor...
Quando o Ivan saiu, a sala ficou em silêncio. Só eu e a Lua, finalmente sozinhos passado tanto tempo.
Estudei o rosto dela com atenção, não sei se procurando as diferenças que os anos tinham produzido ou as pequenas coisas pelas quais eu me tinha apaixonado.
Ela estava igual. A mesma expressão de desafio. A mesma...transparência. Tive de me controlar para não me deixar levar novamente...tive de fazer um esforço consiciente para me lembrar que se havia coisa que a Lua não era, era transparente. Era falsa, calculista. Eu sabia por experiência.
Continuei a olha-la, em parte porque não queria ser o primeiro a desviar o olhar, em parte porque não conseguia deixar de a olhar... Aqueles olhos...os olhos nos quais eu me tinha perdido tantas vezes quando fazíamos amor...
(Lua)
O Ivan tinha saído e eu e o Arthur tínhamos ficado ali a olhar-nos. Apenas a olhar-nos fixamente.
Eu não sabia o que dizer. Tinha guardado tanta coisa para lhe dizer em todo aquele tempo e agora...não conseguia pensar em nenhuma. Só conseguia ficar ali, a olhá-lo e a lembrar-me...aquela boca na minha, aqueles olhos mergulhados nos meus...tanta paixão, tanto amor, tanto desejo...tanta mentira!
Sentia as mãos geladas e o coração a bater rápido. Abri a boca para falar...apesar de não fazer ideia do que iria dizer. Aquele silêncio estava a matar-me, a torturar-me com lembranças!
“Arthur...”, a voz saiu muito mais tremida do que eu queria, e o tom com muito mais mágoa do que frieza.
Não fui capaz de continuar e rendi-me desviando o olhar. Virei-me e inclinei-me para pegar a bolsa. Só queria sair dali. As lágrimas que tinha estado a conter desde que o tinha visto estavam a prestes a cair...e ele era última pessoa que eu queria que as visse!
O Ivan tinha saído e eu e o Arthur tínhamos ficado ali a olhar-nos. Apenas a olhar-nos fixamente.
Eu não sabia o que dizer. Tinha guardado tanta coisa para lhe dizer em todo aquele tempo e agora...não conseguia pensar em nenhuma. Só conseguia ficar ali, a olhá-lo e a lembrar-me...aquela boca na minha, aqueles olhos mergulhados nos meus...tanta paixão, tanto amor, tanto desejo...tanta mentira!
Sentia as mãos geladas e o coração a bater rápido. Abri a boca para falar...apesar de não fazer ideia do que iria dizer. Aquele silêncio estava a matar-me, a torturar-me com lembranças!
“Arthur...”, a voz saiu muito mais tremida do que eu queria, e o tom com muito mais mágoa do que frieza.
Não fui capaz de continuar e rendi-me desviando o olhar. Virei-me e inclinei-me para pegar a bolsa. Só queria sair dali. As lágrimas que tinha estado a conter desde que o tinha visto estavam a prestes a cair...e ele era última pessoa que eu queria que as visse!
(Arthur)
Estremeci quando ela disse o meu nome. Não imaginei que fosse soar assim. Imaginava-a com frieza ou, no máximo, com medo. Não com aquela...dor. Não com aquele tom que me transportou para uma época em que eu ainda a amava com loucura!
Antes que me recompusesse do choque, vi-a dirigir-se para a porta. Agarrei-a no braço.
“Vais fugir?”
Ela limitou-se a olhar para mim e abanar a cabeça enquanto mordia o lábio, esforçando-se por libertar o braço.
Virou a cara e tentou avançar de novo para a porta. Eu não deixei e obriguei-a a encarar-me de novo.
A Lua fugindo?! De cabeça baixa?!
Eu não sabia como reagir, ela parecia genuinamente...frágil.
Eu queria ser frio, queria até ser um pouco bruto com ela. Irónico. Cínico. Uma data de coisas. Mas em vez disso só fui capaz de lhe põr a mão na face com cuidado, obrigando-a a levantar a cabeça para me olhar.
Estremeci quando ela disse o meu nome. Não imaginei que fosse soar assim. Imaginava-a com frieza ou, no máximo, com medo. Não com aquela...dor. Não com aquele tom que me transportou para uma época em que eu ainda a amava com loucura!
Antes que me recompusesse do choque, vi-a dirigir-se para a porta. Agarrei-a no braço.
“Vais fugir?”
Ela limitou-se a olhar para mim e abanar a cabeça enquanto mordia o lábio, esforçando-se por libertar o braço.
Virou a cara e tentou avançar de novo para a porta. Eu não deixei e obriguei-a a encarar-me de novo.
A Lua fugindo?! De cabeça baixa?!
Eu não sabia como reagir, ela parecia genuinamente...frágil.
Eu queria ser frio, queria até ser um pouco bruto com ela. Irónico. Cínico. Uma data de coisas. Mas em vez disso só fui capaz de lhe põr a mão na face com cuidado, obrigando-a a levantar a cabeça para me olhar.
(Lua)
Deus! Eu estava a chorar. E se ele não me soltasse em meio segundo, além da humilhação de chorar na frente dele...eu ia soluçar mesmo! Sentia o coração apertado, a respiração doía no peito.
E quando a mão dele tocou na minha face eu esperei que fosse fria e dura. Que me levantasse a cabeça com força, para que ele pudesse apreciar novamente o quão fraca era afinal a tão rebelde Lua Blanco. Mas em vez disso a mão dele foi gentil e quente. A voz dele tinha um tom preocupado e doce. Fechei os olhos para fingir para mim mesma que não era este Arthur que estava a minha frente, mas sim aquele por quem eu me tinha apaixonado anos atrás.
Ele ergueu-me o rosto e limpou-me uma lágrima com o dedo.
Eu abri novamente os olhos, preparando-me para o sorriso cínico e vitorioso.
Deus! Eu estava a chorar. E se ele não me soltasse em meio segundo, além da humilhação de chorar na frente dele...eu ia soluçar mesmo! Sentia o coração apertado, a respiração doía no peito.
E quando a mão dele tocou na minha face eu esperei que fosse fria e dura. Que me levantasse a cabeça com força, para que ele pudesse apreciar novamente o quão fraca era afinal a tão rebelde Lua Blanco. Mas em vez disso a mão dele foi gentil e quente. A voz dele tinha um tom preocupado e doce. Fechei os olhos para fingir para mim mesma que não era este Arthur que estava a minha frente, mas sim aquele por quem eu me tinha apaixonado anos atrás.
Ele ergueu-me o rosto e limpou-me uma lágrima com o dedo.
Eu abri novamente os olhos, preparando-me para o sorriso cínico e vitorioso.
(Arthur)
Eu não sabia o que fazer. Tinha imaginado durante anos como seria ter a Lua a chorar á minha frente, tal como estava agora. E, em todos esses momentos, imaginei que me sentiria finalmente vingado. Mas a única coisa que eu conseguia sentir agora era dor. Aqueles olhos dela cheios de mágoa e medo, olhando-me enquanto as lágrimas lhe caiam pela face deixaram-me mais abalado do quaisquer palavras de ódio e cinismo que ela me pudesse ter dito.
“Não chores, olhos lindos”, murmurei enquanto lhe limpava as lágrimas com ternura “por favor não chores”.
Vi o choque nos olhos dela antes de eu próprio tomar consciência do que tinha dito. Fechei os olhos e larguei-a, dando um passo atrás.
Eu não sabia o que fazer. Tinha imaginado durante anos como seria ter a Lua a chorar á minha frente, tal como estava agora. E, em todos esses momentos, imaginei que me sentiria finalmente vingado. Mas a única coisa que eu conseguia sentir agora era dor. Aqueles olhos dela cheios de mágoa e medo, olhando-me enquanto as lágrimas lhe caiam pela face deixaram-me mais abalado do quaisquer palavras de ódio e cinismo que ela me pudesse ter dito.
“Não chores, olhos lindos”, murmurei enquanto lhe limpava as lágrimas com ternura “por favor não chores”.
Vi o choque nos olhos dela antes de eu próprio tomar consciência do que tinha dito. Fechei os olhos e larguei-a, dando um passo atrás.
(Lua)
Olhos lindos. Ele tinha-me chamado novamente olhos lindos. Antes de me recuperar da surpresa ele já me tinha largado.
Levei a mão á face para limpar as lágrimas, tentando recompor-me e entender toda a situação. O gesto de carinho, o toque dele na minha pele, a voz dele, as palavras meigas...nada combinava com o Arthur frio que eu tinha visto antes. Fazia lembrar mais o Arthur de antigamente...o Arthur falso, forcei-me a lembrar.
Olhei-o novamente. Ele estava de lado, com as mãos nos bolsos e fixando a parede. Percebi que não queria olhar para mim. E uma parte do meu coração parvo, que por momentos acreditou nele, murchou novamente.
Respirei fundo e tentei que a minha voz soasse o mais neutra possível.
“Os factos são: eu não sabia que tinhas voltado. Ver-te aqui foi uma surpresa, para não dizer que foi um choque.” desviei também o olhar para a parede procurando coragem para continuar “O que me fizeste 5 anos atrás magoou-me mais do que qualquer outra coisa no mundo, e demorei a levantar-me outra vez. Mas ultrapassei-te. Vamos trabalhar juntos porque assim tem de ser, mas a nível pessoal tenciono manter-me o mais afastada possível. Não te perdoei nem esqueci, e a minha reacção de há pouco foi apenas por lamentar aquilo que fui e o que perdi, por tua culpa. Não voltarei a ser o que fui antes de ti, e isso é o que mais me dói. Por isso não esperes nada de mim. Nada.”
Virei-me para sair, rezando para que ele não me agarrasse e me impedisse novamente. Mas bastou a voz dele para o fazer.
Olhos lindos. Ele tinha-me chamado novamente olhos lindos. Antes de me recuperar da surpresa ele já me tinha largado.
Levei a mão á face para limpar as lágrimas, tentando recompor-me e entender toda a situação. O gesto de carinho, o toque dele na minha pele, a voz dele, as palavras meigas...nada combinava com o Arthur frio que eu tinha visto antes. Fazia lembrar mais o Arthur de antigamente...o Arthur falso, forcei-me a lembrar.
Olhei-o novamente. Ele estava de lado, com as mãos nos bolsos e fixando a parede. Percebi que não queria olhar para mim. E uma parte do meu coração parvo, que por momentos acreditou nele, murchou novamente.
Respirei fundo e tentei que a minha voz soasse o mais neutra possível.
“Os factos são: eu não sabia que tinhas voltado. Ver-te aqui foi uma surpresa, para não dizer que foi um choque.” desviei também o olhar para a parede procurando coragem para continuar “O que me fizeste 5 anos atrás magoou-me mais do que qualquer outra coisa no mundo, e demorei a levantar-me outra vez. Mas ultrapassei-te. Vamos trabalhar juntos porque assim tem de ser, mas a nível pessoal tenciono manter-me o mais afastada possível. Não te perdoei nem esqueci, e a minha reacção de há pouco foi apenas por lamentar aquilo que fui e o que perdi, por tua culpa. Não voltarei a ser o que fui antes de ti, e isso é o que mais me dói. Por isso não esperes nada de mim. Nada.”
Virei-me para sair, rezando para que ele não me agarrasse e me impedisse novamente. Mas bastou a voz dele para o fazer.
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