O Reencontro!!!!
Acordei cedo. Ainda me estava a habituar á ideia de que estava de volta ao Brasil. Que saudades... Adorava acordar cedo e aproveitar aquelas primeiras horas da manhã em que parece que a cidade ainda está a dormir...o ar aqui tem outro cheiro, outro sabor...
Tomei o meu café enquanto olhava a vista da cidade e pensava no dia que estava a começar. Uma parte de mim estremecia de antecipação. Mas a outra parte era suficientemente realista para saber que não conseguiria ficar completamente frio á presença dela.
Lua Blanco.
A razão pela qual eu me tinha afastado do Brasil por 5 anos. Respirei fundo. Tinha sido um erro. Ela não merecia que eu me tivesse afastado. Deixar a minha familia, os meus amigos, a minha terra... Mas na altura não vi outra forma. Pensar sequer em cruzar-me com ela na rua ou no shopping abria-me um buraco no coração. Naquela altura tinha o coração cheio de raiva e mágoa pelo que tinha acontecido.. E aquela proposta de uma televisão portuguesa tinha vindo na hora certa.
Olhei de novo a cidade enquanto bebia mais um pouco de café. Mas isso era passado. Ia ser difícil revê-la, trabalhar com ela.
Mas 5 anos tinham feito o seu trabalho...eu era um homem novo, mais forte. E muito muito mais frio.
Conduzi com calma até ao estúdio. Não me admirei ser um dos primeiros a chegar...ainda era cedo.
Á medida que iam chegando os novos colegas de elenco fui conhecendo alguns e reconhecendo outros. A Sophia foi uma das primeiras que reconheci. Sorri-lhe, mas esperei que fosse ela a aproximar-se. Ela fê-lo, hesitante.
“Arthur, que surpresa! Pensei que ainda estivesses em Portugal...” – senti-lhe a surpresa na voz; quase lhe li o pensamento...a dúvida “a Lua sabe que estás de volta?” estava-lhe estampada na cara, mas não teve coragem de a formular em voz alta.
“Voltei há cerca de um mês para este novo projecto. O Ivan entrou em contacto directamente comigo e eu fiquei curioso... Além disso já estava na hora de voltar à minha terra, não achas?” – o meu tom de voz tinha sido perfeitamente inocente, mas sabia que a minha expressão lhe transmitia muito mais coisas.
“Claro, claro! Vai ser optimo trabalhar contigo outra vez!” - disse ela com um sorriso um pouco forçado.
Sorri-lhe inocentemente e afastamo-nos para falar com outras pessoas.
Mas 5 anos tinham feito o seu trabalho...eu era um homem novo, mais forte. E muito muito mais frio.
Conduzi com calma até ao estúdio. Não me admirei ser um dos primeiros a chegar...ainda era cedo.
Á medida que iam chegando os novos colegas de elenco fui conhecendo alguns e reconhecendo outros. A Sophia foi uma das primeiras que reconheci. Sorri-lhe, mas esperei que fosse ela a aproximar-se. Ela fê-lo, hesitante.
“Arthur, que surpresa! Pensei que ainda estivesses em Portugal...” – senti-lhe a surpresa na voz; quase lhe li o pensamento...a dúvida “a Lua sabe que estás de volta?” estava-lhe estampada na cara, mas não teve coragem de a formular em voz alta.
“Voltei há cerca de um mês para este novo projecto. O Ivan entrou em contacto directamente comigo e eu fiquei curioso... Além disso já estava na hora de voltar à minha terra, não achas?” – o meu tom de voz tinha sido perfeitamente inocente, mas sabia que a minha expressão lhe transmitia muito mais coisas.
“Claro, claro! Vai ser optimo trabalhar contigo outra vez!” - disse ela com um sorriso um pouco forçado.
Sorri-lhe inocentemente e afastamo-nos para falar com outras pessoas.
Apesar de ocupado, ia vigiando a sala. A Lua ainda não tinha chegado. Queria ver a reacção dela quando me visse. Pela da Sophia, apostava que a Lua também não sabia que eu estava de volta ao Brasil. E muito menos que iria trabalhar comigo. Óptimo. O Ivan tinha cumprido o que eu lhe tinha pedido e controlado a informação.
A reunião começou, com uma breve apresentação dos autores, pessoal técnico e divulgação de todo o tipo de informações gerais.
Ouviu-se bater a porta e ela entrou finalmente. Apertei as mãos para não admitir que tremiam. Ela entrou e tentou passar o mais despercebida possivel, mas o Ivan, como sempre, não foi tão compreensivo assim.
Percebi a irritação pela repreensão imediatamente na expressão dela, e tive de me controlar para não sorrir.
“Com que então, Dona Lua, continua com um óptimo feitio!” pensei para com os meus botões.
Percebi que não me tinha visto e virei-me de novo para a frente. O confronto podia esperar. E a verdade é que eu estava ansioso por ele.
Tive a minha oportunidade pouco depois. Quando o Ivan disse o meu nome, imaginei a reacção dela, sentada atrás de mim. Fiz questão de demorar um pouco antes de me virar para a encarar. A expressão de puro pânico na cara dele fez-me sentir que tinha ganho o dia. Desta vez, era eu quem estava no comando da situação.
A reunião começou, com uma breve apresentação dos autores, pessoal técnico e divulgação de todo o tipo de informações gerais.
Ouviu-se bater a porta e ela entrou finalmente. Apertei as mãos para não admitir que tremiam. Ela entrou e tentou passar o mais despercebida possivel, mas o Ivan, como sempre, não foi tão compreensivo assim.
Percebi a irritação pela repreensão imediatamente na expressão dela, e tive de me controlar para não sorrir.
“Com que então, Dona Lua, continua com um óptimo feitio!” pensei para com os meus botões.
Percebi que não me tinha visto e virei-me de novo para a frente. O confronto podia esperar. E a verdade é que eu estava ansioso por ele.
Tive a minha oportunidade pouco depois. Quando o Ivan disse o meu nome, imaginei a reacção dela, sentada atrás de mim. Fiz questão de demorar um pouco antes de me virar para a encarar. A expressão de puro pânico na cara dele fez-me sentir que tinha ganho o dia. Desta vez, era eu quem estava no comando da situação.
Não me admirei que o Ivan pedisse para o encontrarmos no final da reunião. Depois da minha conversa com ele quando aceitei o papel, sabia que ele se iria querer assegurar-se de que eu e a Lua não íamos provocar problemas.
Sorri para mim próprio. Eu estava preparado para a Lua. A questão era...será que ela estava preparada para mim?
Sorri para mim próprio. Eu estava preparado para a Lua. A questão era...será que ela estava preparada para mim?
(Lua Blanco)
Não ouvi uma palavra do resto da reunião. O meu pensamento estava longe, muito longe. 5 anos atrás, para ser mais precisa. As memórias passavam pela minha cabeça rápido e de forma confusa.
A primeira vez que vi o Arthur, nos testes de Rebelde. O calor que senti a primeira vez que nos encarámos olhos nos olhos. O riso, a paixão, o carinho, o desejo...ai meu Deus, o desejo que eu sentia por ele!
Sentia os olhos arder com o esforço de não chorar. Lembrar tudo o que me tinha esforçado por esquecer doía muito. Doía demais.
Como é que eu ia encará-lo a seguir na reunião com o Ivan? Precisava de me recompor.
Eu tinha visto o olhar dele. Bem diferente daquele pelo qual eu me tinha apaixonado. Esse era apaixonado, doce...um pouco tímido até, por vezes. Eu tinha adorado esse lado meio tímido meio inseguro dele. Dava-me segurança de que era amada por mim mesma e de que ele estaria sempre ali para mim, amando-me, apoiando-me....
O de agora era frio, duro, cínico. Ao fim de 5 anos, finalmente o verdadeiro Arthur. Pena que eu tivesse precisado de passar por tudo para perceber o quão frio e calculista ele era...muita inocência da minha parte! Pelo menos eu tinha de lhe dar o crédito...óptimo actor ele é. Enganou toda a gente direitinho...inclusivamente eu!
Fechei os olhos com força e tornei a abri-los.
Não ouvi uma palavra do resto da reunião. O meu pensamento estava longe, muito longe. 5 anos atrás, para ser mais precisa. As memórias passavam pela minha cabeça rápido e de forma confusa.
A primeira vez que vi o Arthur, nos testes de Rebelde. O calor que senti a primeira vez que nos encarámos olhos nos olhos. O riso, a paixão, o carinho, o desejo...ai meu Deus, o desejo que eu sentia por ele!
Sentia os olhos arder com o esforço de não chorar. Lembrar tudo o que me tinha esforçado por esquecer doía muito. Doía demais.
Como é que eu ia encará-lo a seguir na reunião com o Ivan? Precisava de me recompor.
Eu tinha visto o olhar dele. Bem diferente daquele pelo qual eu me tinha apaixonado. Esse era apaixonado, doce...um pouco tímido até, por vezes. Eu tinha adorado esse lado meio tímido meio inseguro dele. Dava-me segurança de que era amada por mim mesma e de que ele estaria sempre ali para mim, amando-me, apoiando-me....
O de agora era frio, duro, cínico. Ao fim de 5 anos, finalmente o verdadeiro Arthur. Pena que eu tivesse precisado de passar por tudo para perceber o quão frio e calculista ele era...muita inocência da minha parte! Pelo menos eu tinha de lhe dar o crédito...óptimo actor ele é. Enganou toda a gente direitinho...inclusivamente eu!
Fechei os olhos com força e tornei a abri-los.
Afinal, eu sou A Lua Blanco, e se o Arthur pensou que voltava e brincava comigo...está muito enganado.
Fixei as costas dele através das outras pessoas. Ele deve ter sentido algo, porque se virou para me encarar com aquele sorrisinho cínico.
Devolvi-lho e fiz-lhe um pequeno aceno com a cabeça, como que a concordar com o jogo que ele tinha começado. Se era isso que ele queria, era isso que teria.
O olhar dele brilhou um pouco mais com a expectativa do jogo e ele retribuíu-me o aceno, voltando-se de novo para a frente.
“Que os jogos comecem!”, pensei com um suspiro que era uma mistura de medo e coragem em partes iguais.
Fixei as costas dele através das outras pessoas. Ele deve ter sentido algo, porque se virou para me encarar com aquele sorrisinho cínico.
Devolvi-lho e fiz-lhe um pequeno aceno com a cabeça, como que a concordar com o jogo que ele tinha começado. Se era isso que ele queria, era isso que teria.
O olhar dele brilhou um pouco mais com a expectativa do jogo e ele retribuíu-me o aceno, voltando-se de novo para a frente.
“Que os jogos comecem!”, pensei com um suspiro que era uma mistura de medo e coragem em partes iguais.
(Arthur Aguiar)
“Que os jogos comecem!”
Virei-me de novo para a frente com um sorriso nos lábios. Então ela tinha decidido jogar também. Ainda bem. Acho que por momentos, quando vi a expressão dela ao deparar-se comigo ali, tive medo que ela desistisse.
Sorri de novo. A Lua não tinha mudado mesmo. Sempre tão confiante e segura de si. Sempre detestando ser contrariada ou superada no que quer que fosse! Contava com isso, com o facto de ela ser orgulhosa demais para se retirar sem sequer tentar.
Percebi no olhar dela que estava disposta a jogar, mas o sorriso tinha sido suficientemente forçado para eu perceber o medo nela. Ainda bem.
Pelo menos ela percebeu que não sou o mesmo Arthur que partiu há 5 anos. Esse era um idiota apaixonado que não percebeu que estava simplesmente a ser usado pela GRANDE Lua Blanco.
Uma sombra passou-me pelo rosto. Apaixonado sim. Eu amava aquela garota. Não a verdadeira Lua, claro. Essa só percebi tarde de mais quem era. Mas a que eu tinha conhecido nas gravações, a que me tinha feito tremer a primeira vez que nos encarámos, a que me fazia rir e me fazia acreditar que o mundo era nosso e só tínhamos de aproveitar. Aquela Lua que me tinha transformado, que me tinha feito sentir confiante, amado, desejado...a que me tinha feito perder a cabeça por ela e que eu tinha demorado tanto tempo a substituir na cama.
Passei a mão pelo rosto. Tinha de esquecer isso. Ela nunca tinha sido aquilo que eu pensava...e eu com certeza já não era o mesmo.
Este é, por isso, um jogo totalmente novo. Veremos quem ganha desta vez.
“Que os jogos comecem!”
Virei-me de novo para a frente com um sorriso nos lábios. Então ela tinha decidido jogar também. Ainda bem. Acho que por momentos, quando vi a expressão dela ao deparar-se comigo ali, tive medo que ela desistisse.
Sorri de novo. A Lua não tinha mudado mesmo. Sempre tão confiante e segura de si. Sempre detestando ser contrariada ou superada no que quer que fosse! Contava com isso, com o facto de ela ser orgulhosa demais para se retirar sem sequer tentar.
Percebi no olhar dela que estava disposta a jogar, mas o sorriso tinha sido suficientemente forçado para eu perceber o medo nela. Ainda bem.
Pelo menos ela percebeu que não sou o mesmo Arthur que partiu há 5 anos. Esse era um idiota apaixonado que não percebeu que estava simplesmente a ser usado pela GRANDE Lua Blanco.
Uma sombra passou-me pelo rosto. Apaixonado sim. Eu amava aquela garota. Não a verdadeira Lua, claro. Essa só percebi tarde de mais quem era. Mas a que eu tinha conhecido nas gravações, a que me tinha feito tremer a primeira vez que nos encarámos, a que me fazia rir e me fazia acreditar que o mundo era nosso e só tínhamos de aproveitar. Aquela Lua que me tinha transformado, que me tinha feito sentir confiante, amado, desejado...a que me tinha feito perder a cabeça por ela e que eu tinha demorado tanto tempo a substituir na cama.
Passei a mão pelo rosto. Tinha de esquecer isso. Ela nunca tinha sido aquilo que eu pensava...e eu com certeza já não era o mesmo.
Este é, por isso, um jogo totalmente novo. Veremos quem ganha desta vez.
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